Libertadores: Festa corintiana, tristeza carioca

Os nervos das três torcidas dos times brasileiros que entraram em campo nesta quarta-feira pela Copa Libertadores da América foram testados até o fim. Só mesmo nos minutos finais, os destinos de Corinthians, Vasco e Fluminense foram decididos, e a noite não terminou nada bem para os cariocas. Graças a um gol marcado aos 42 minutos do segundo tempo, o Timão bateu o Vasco no Pacaembu por 1 a 0 e ficou com uma das vagas na semifinal da competição. No Engenhão, o Fluminense levava a decisão para os pênaltis após abrir o placar, mas cedeu o empate ao Boca Juniors, da Argentina, aos 45 da etapa final e deu adeus à competição. Confira os destaques da emocionante rodada da competição continental no FIFA.com.

Sem o maior obstáculo do jogo de ida – o campo encharcado de São Januário -, Corinthians e Vasco travaram um duelo equilibrado desde o apito inicial, com os cariocas levando perigo à meta dos anfitriões sobretudo nas bolas paradas. Juninho teve boa chance logo aos dez minutos e assustou Cássio, mas o Timão também chegou bem com Emerson e Paulinho, forçando boas defesas de Fernando Prass.

Com o placar inalterado na segunda etapa, ambas as equipes acusaram a pressão e o clima esquentou não apenas no gramado. Aos 11 minutos, o técnico Tite foi expulso do banco e foi forçado a acompanhar o restante da partida ao lado da torcida. Em campo, o Vasco teve aquela que seria a oportunidade mais clara de gol de toda a partida, a chance de ouro de colocar um pé na próxima fase: após falha grosseira de Alessandro na saída de bola, Diego Souza ficou cara a cara com Cássio e tentou tocar na saída do goleiro, que se esticou todo e fez uma defesa milagrosa. Na sequência, Nilton ainda completou a cobrança de escanteio com uma cabeçada que explodiu no travessão.

O momento vascaíno, entretanto, passou. As melhores chances, a partir daí, foram dos donos da casa. Emerson carimbou a trave aos 31 e levou a torcida à loucura. Aos 42, enfim, o gol da classificação: Alex cobrou escanteio e Paulinho subiu sozinho na área para estufar as redes vascaínas e fazer 1 a 0

O gol não pôs fim à tensão do torcedor, já que um gol rival levaria os cariocas diretamente à próxima fase. Somente quando o apito final soou, aos 48, os mais de 35 mil presentes puderam soltar o grito e comemorar a chegada à semifinal após 12 anos – em 2000, o Timão eliminou o Atlético-MG nas quartas, mas caiu para o Palmeiras na sequência.

“Foi uma classificação com a cara do Corinthians. O grande mérito foi a doação de todos, a simplicidade do grupo. A vaga é mais do que merecida”, disse Paulinho, herói da classificação, na saída do gramado.

O Corinthians ainda precisa esperar os confrontos desta quinta-feira para conhecer seu próximo rival. Se o Santos avançar diante do Vélez Sarsfield, o Peixe será o adversário do Timão, em novo duelo brasileiro. Caso os argentinos passem, o time de Tité enfrentará o vencedor de Universidad de Chile e Libertad, já que o regulamento da Libertadores colocaria Vélez e Boca Juniors frente a frente para evitar uma final entre times do mesmo país.

“El Tanque” derruba guerreiros aos 45
Acostumada a ver seus guerreiros desafiarem a lógica e reverterem resultados muito mais adversos, a torcida tricolor compareceu em peso ao Engenhão para empurrar o Fluminense diante do Boca, disposta a mostrar aos argentinos que o clima de caldeirão não era exclusividade da Bombonera. A desvantagem mínima de 1 a 0 que a equipe trouxe de Buenos Aires, aceitável principalmente diante da expulsão de Carlinhos aos 34 minutos do primeiro tempo da partida de ida, não poderia mesmo ser considerada obstáculo à altura de um time que jamais se acanhou frente à matemática.

Pois ela pareceu se extinguir totalmente aos 17 minutos da etapa inicial, quando literalmente um sonho virou realidade. Thiago Carleto, titular no lugar do suspenso Carlinhos, cumpriu o que o pai previra na noite anterior à partida: marcou um gol numa cobrança de falta da intermediária, fazendo 1 a 0 para os cariocas e garantindo ao menos a chance de decidir a vaga nos pênaltis.

Superior durante todo o primeiro tempo, o Tricolor das Laranjeiras esteve mais perto de marcar o segundo gol e carimbar a classificação, enquanto o Boca não se encontrava em campo. O time de Abel Braga, entretanto, se ressentiu da ausência de peças fundamentais como os experientes Deco e Fred e não conseguiu ampliar o placar antes do intervalo. Parecendo sentir a pressão na volta para a etapa final, a equipe carioca viu o Boca subir de produção e passar a pressionar em busca do gol de empate.

Ele veio da forma mais dolorida possível para os brasileiros: aos 45 minutos do segundo tempo, quando a decisão da vaga na semifinal parecia se encaminhar para a cobrança de pênaltis, Rivero acertou a trave de Diego Cavalieri, que ainda tirou em cima da linha, mas viu Santiago “El Tanque” Silva aproveitar o rebote e empurrar a bola para o fundo da rede. Desta vez nem os guerreiros puderam evitar o pior – não havia tempo para mais nada e a eliminação foi inevitável.

Fonte: FIFA.com

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