Origem do futebol – IV

Não se tem notícia que o futebol no Rio
de Janeiro tenha sido praticado com
frequência antes de 1901.Tudo
começou exatamente como em São
Paulo, com Charles Miller, um
descendente de ingleses. Oscar Cox,
chegando de seus estudos na Europa,
trouxe para a capital do Brasil o gosto
pelo futebol. O primeiro jogo aconteceu
a 1° de agosto de 1901, entre a turma
de Oscar Cox e os ingleses do Rio
Cricket and Athletic Association, de Niterói, tendo empatado
pelo escore de 1a1. Sabendo que em São Paulo já existiam
vários clubes, Oscar Cox escreve às pressas a Renê
Vanorden, do Sport Clube Internacional, propondo uma
partida entre paulistas e cariocas. Assim, na manhã de 19 de
outubrode 1901, treze cariocas desembarcavam de um trem
da Central, na capital paulista, para a primeira partida
interestadual que o Brasil conheceu. No mesmo dia, à tarde,
o jogo teve início no campo do São Paulo Athletic,
na Rua da Consolação. Os cariocas jogaram com:
Schuback, Frias e Nóbrega; Oscar Cox, Wright e Mc Cullock;
Walter, Santos E. Morais, Júlio Morais e Félix Frias. Os
paulistas: Holland, Duarte e Hans Nobiling, Renê
Vanorden,Jeffery e Muss; Ibañez Salles, Boyes, Casimiro da
Costa, Charles Miller e Alício Carvalho. O jogo saiu empate:
1a1. No dia seguinte, jogaram a segunda partida e
empataram novamente: 2a2. À noite, os dois clubes
jantaram juntos, na Rotisserie Sport, em homenagem a
Charles Miller e Oscar Cox, com brindes ao presidente
da República, Campos Sales, e ao rei da Inglaterra, Eduardo
VII. O êxito da excursão fez nascerem no Rio os
primeirosclubes cariocas: o Rio Futebol Clube e o
Fluminense, ambos em 1902. Com cinco clubes em
atividade, só na capital, os paulistas acharam viável fundar
uma liga que organizasse campeonatos, como se fazia na
Europa. Em 19 de dezembro de 1901, na sede do
Internacional, Casimiro da Costa conseguia a aprovação da
Liga Paulista de Futebol, da qual fariam parte o São Paulo
Athletic, Mackenzie, Germânia,Internacional e Paulistano. A
nova entidade cobraria ingressos dos jogos e oferecia
taças aos campeões. No dia 3 de
maio de 1902, no Parque da Antártica, o Mackenzie
derrotou o Germânia por 2 a 1, na abertura do primeiro
campeonato paulista. Porém, foram os ingleses do São
Paulo Athletic os campeões, decidindo o título com o
Paulistano, no campo do Velódromo. O artilheiro foi
Charles Miller com dez gols.No Rio de Janeiro, a 8 de
junho de 1905, na sede do Fluminense, era fundada a Liga
Metropolitana de futebol.Já existiam então o Botafogo, o
América e o Bangu, criados em 1904. O primeiro
campeonato carioca começou em 3 de maio de 1906, com
a participação do Fluminense (que foi o campeão)
Paissandu, Rio Cricket, Botafogo, Bangu e Football
and Athletic Club. A partir de 1908, começaram a chegar os
estrangeiros. Primeiro, os argentinos, que derrotaram
paulistas e cariocas por goleadas; depois, os uruguaios
que também os cariocas algumas vezes. Coube, porém, ao
Fluminense a maior
façanha: trazer ao Brasil o famoso Corinthiana Team, um
dos melhores clubes amadores da Inglaterra, formado por
estudantes das universidades Oxford e Cambridge. Na
estréia contra o Fluminense, em agosto de 1910, os
corintianos aplicaram uma goleada de 10 a 1. Depois, os
ingleses venceram a seleção carioca por 8 a 1, e uma
seleção de brasileiros
por 5 a 2. Em São Paulo, o Corinthians derrotou o Palmeira
por 2 a 0; a seleção paulista por 5 a 0; e o São Paulo
Athletic por 8 a 2.Tantas derrotas, entretanto, fizeram bem
ao futebol brasileiro. Nossos jogadores aprenderam
bastante. Prova disso é que o próprio Corinthians voltou ao
Brasil em 1913 e encontrou outro panorama em nosso
futebol. No Rio, os ingleses perderam para a seleção
carioca por 2 a 1; venceram uma seleção de brasileiros por
2 a 1; e uma equipe formada por ingleses por 4 a 0. Em
São Paulo, sofreram para empatar com com o Palmeiras
por 1 a 1; e venceram com muita dificuldade a seleção
paulista por 2 a 1.

RETRATO VELHO

Martins Andrade  -engenheiro agrônomo, radialista, cronista esportivo e político.    blog http://martinsandrade.wordpress.comFoi-se a primeira década do terceiro
milênio.O futebol cearense permanece
ainda com a cara do que praticava nas
ultimas décadas do segundo.Embora
avançando ali, retroagindo acolá, no
geral permanecemos num patamar
muito semelhante aos das décadas
oitenta e noventa, que encerraram
aquele milênio.E qual a cara daquelas
décadas?Na área dos dirigentes,
alguns se chegavam aos clubes com o
coração palpitando de emoção, irradiando entusiasmo por
assumir a direção daquela entidade, que ele aprendeu a
amar desde pequeno. Assumia com o sonho de grandes
realizações e era capaz de comprometer suas finanças e
seu patrimônio, no intuito de ajudar seu clube na caminhada
rumo ao titulo da temporada.Essa era a intenção de
chegada.A finalidade, na realidade, era outra: a exposição,
estar na mídia, galgar situações de reconhecimento para
outros objetivos, que poderia ser  a política ou alavancar
seus negócios particulares. Algumas vezes essses negócios
eram dentro do próprio clube que ele dizia amar: virava
empresário para negociar o patrimônio de seu clube de
coração, ou um caça votos dos torcedores mais fanáticos e
despolitizados.No que se refere ao time de futebol, já que
não há atividade social em nossos clubes, essa função
continua capenga, a carecer de medidas conjunturais
renovadas e urgentes.Continuamos revelando pouco e
importando muito.As escolinhas, que antes foram um celeiro
de craques, onde se revelavam grandes promessas, que no
decorrer do tempo se transformavam em realidade, hoje é só um
amontoado de sonhadores, cuja grande maioria não tem nenhuma
qualidade técnica para que sejam aproveitados.Mas permanecem
lá, já comprometidos por procurações nas mãos de empresários, e
muitas vezes dos dirigentes e treinadores do próprio clube.São “os
sujadores de camisas”, como dizia Célio Pamplona, selecionador
dos jogadores das primeiras escolinhas do Ferroviário, e que se
tornou seu presidente.Os grandes craques que a mídia elegeu,
nunca chegaram perto dos grandes jogadores revelados pelas
escolinhas dos nossos clubes, fossem elas dos grandes, médios ou
dos pequenos.Aliás, esses pequenos e médios clubes do nosso
futebol eram tão reveladores de craques quanto os grandes!
América, Calouros, Icasa, GuaranyOs grandes craques que militam
no nosso futebol, repito, saíram da reserva dos pequenos e médios
clubes do eixo sul-sudeste, que a torcida aceitou porque não havia
outros. E que com raríssimas exceções, quando para lá voltam,
nem no banco vão.Particularmente ao torcedor, este continua
imbatível no concerto nacional.O torcedor cearense gosta de
futebol e vai pro jogo.
Temos as maiores freqüências de torcedores do futebol brasileiro.A
atitude dele é que mudou. Muitos já não vão para torcer.Quem vai
para o estádio levando uma arma; quem passa a maior parte do
tempo de costa para o jogo e atiçando o adversário com paus,
pedras, partindo para a briga no corpo-a-corpo, não pode ser
chamado de torcedor. Deveria estar preso ou banido dos
estádios.No mais, nosso futebol é o retrato do que vimos nos
últimos trinta anos.Dirigentes que usam politica (Ceará),  e
financeiramente o clube, caso mais recente do Ferroviário. E
torcedor copiando o que não presta, numa imitação rasteira do que
se faz por outras bandas.Pensa-se que o futebol cearense está
mais amadurecido, que vai crescer e se parecer com o que se
pratica em outros grandes centros…Ledo engano!Estamos apenas
maquiando, retocando-o para que se pareça novo.Na verdade, um
retrato velho.

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