Origem do futebol – V

No mesmo 
ano de 1913, 
o Esporte 
Clube 
Americano, 
fundado em 
Santos, em 
1902, ia jogar 
em Buenos 
Aires e Montevidéu, reforçado 
com craques como 
Friedenreich e Formiga. 
Estreava contra uma seleção 
argentina em Buenos Aires e 
ganhava por 2 a 0, tornandose o primeiro time brasileiro a 
vencer no exterior. 
Todas estas excursões – 
clubes estrangeiros nos 
visitando, nossos clubes 
viajando para fora – 
prepararam os jogadores 
brasileiros para  seu primeiro 
grande compromisso: viria ao 
Brasil em junho de 1914, o 
Exeter City, forte equipe de 
profissionais ingleses. Os 
jornais abriam manchetes, 
contando as vantagens e 
desvantagens do 
profissionalismo. E debaixo de 
enorme expectativa, os 
britânicos, fortes, elegantes, 
bem uniformizados, estrearam 
em 18 de julho, derrotando 
uma seleção de jogadores 
ingleses por 3 a 0. No dia 
seguintes, o público era maior 
para vê-los derrotar a seleção 
carioca por 5 a 3. 
No dia 21 de julho do mesmo 
ano, o Exeter City ia despedirse, medindo-se com uma 
seleção brasileira: os melhores 
do Rio, re3forçados pelos 
paulistas Rubens Sales, 
Formiga, Friedenreich e 
Lagreca. Os ingleses são 
imbatíveis, têm técnica e 
apuro – diziam os derrotistas 
da época.
 E o jogo começou. Poucos ali 
perceberam então o que se 
repetiria sempre: em matéria 
de futebol, se os ingleses 
eram duros, severos na 
marcação, altos e fortes, 
presos a esquemas rígidos, os 
brasileiros eram finos, 
artísticos, instintivos, 
habilidosos. Foi o que 
demonstraram naquele dia. 
Para surpresa dos milhares de 
cariocas que compareceram 
ao campo da Rua Guanabara, 
os brasileiros dominaram o 
jogo todo. No final, venceram 
os ingleses por  por 2 a 0. Foi 
esta a primeira seleção  oficial 
brasileira, reconhecida pela 
CBF (Confederação Brasileira 
de Desportos) que formou com 
Marcos de Mendonça, Píndaro 
e Neri; Lagreca, Rubens Sales 
e Rolando; Osvaldo Gomes, 
Abelardo, Friedenreich, 
Osman Medeiros e Formiga. 
Três meses depois, em 
setembro de 1914, o primeiro 
triunfo de nossa  seleção em 
terras estrangeiras: a 
conquista da Copa Roca, 
vencendo os argentinos em 
Buenos Aires por 1 a 0, na 
decisão, gol de Rubens Sales. 
Em 1925, os franceses nos 
chamavam de “reis do futebol”, 
assim como reconheceriam a 
mesma  coisa três décadas 
depois, chamando nosso maior 
jogador de “Rei Pelé”. Era nossa 
primeira excursão à Europa, 
realizada pelo Paulistano, em 
1925. Estreando em 25 de 
março, em Paris, o clube 
brasileiro vencia a seleção 
francesa por 7 a 2, extasiando 
os seus patrícios com a 
categoria que já tínhamos 
adquirido. Das nove partidas 
seguintes, o Paulistano apenas 
perdeu uma. Marcou 31 gols e 
sofreu 7. 
A volta do Paulistano a São 
Paulo foi triunfal. Desembarcou 
na Estação da Luz, no dia 10 de 
maio, cercado pelo povo. Para 
lembrar o feito, foi erguido, na 
época, um monumento em 
frente à’ sede do clube.   
No decorrer de 1933, após 
muitas discussões, os clube 
brasileiros aderiram ao 
profissionalismo. 
O marco inicial foi o torneio RioSão Paulo, disputado por 
Palestra, Corinthians, 
Portuguesa de Desportos, São 
Paulo, Santos, São Bento, 
Ipiranga (paulistas) Fluminense, 
Bangu, Vasco da Gama, 
Flamengo, América e 
Bonsucesso (cariocas). O 
Palestra sagrou-se campeão. 
Em menos de meio século, as 
duas bolas que Charles Miller 
trouxera da Europa em 1894 se 
multiplicaram e passaram a 
correr pelos campos 
improvisados, ruas, terrenos 
baldios e praias de todo o Brasil. 
Onde não houvesse bola de 
verdade, serviam bola de meia, 
de borracha, bexigas de boi 
revestidas, enfim, tudo o que se 
prestasse para praticar um

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