Uma virada épica liderada por Pepe há 55 anos: Santos 7 x 6 Palmeiras

Há 55 anos, Santos e Palmeiras protagonizaram um dos jogos mais emocionantes da história do futebol brasileiro. Pepe liderou o triunfo do Peixe, em espetáculo que rendeu aplausos de ambas as torcidas no Pacaembu

 O ano de 1958 foi inesquecível para Mazzola, Pelé, Pepe e Zito. Juntos, eles cruzaram o mundo e foram à Suécia dar ao Brasil o seu primeiro título da Copa do Mundo da FIFA. Mazzola finalizou aquele ano com uma grande transferência para o Milan, e rapidamente se tornou um dos mais bem-sucedidos jogadores sul-americanos no futebol italiano em todos os tempos.Pepe acabou a temporada com uma impressionante média de um gol por jogo graças à sua infalível perna canhota. Zito começou 1959 sendo considerado o melhor meio-campista do planeta por importantes jornais europeus. Quanto a Pelé, ganhou uma fama incalculável e passou a ser mais conhecido que outros superastros do esporte como o piloto Juan Manuel Fangio e o boxeador Sugar Ray Robinson.


No entanto, no começo daquele ano de 1958, todos eles eram famosos em São Paulo, mas ilustres desconhecidos no resto do mundo. Há exatos 55 anos, o Palmeiras de Mazzola e oSantos de Pelé, Pepe e Zito se encontraram no Pacaembu. Embora os dois times se enfrentassem com frequência em partidas altamente disputadas, naquele confronto pouca coisa estava em jogo além do orgulho — santistas e palmeirenses já estavam eliminados do Torneio Rio-São Paulo. Ainda assim, ninguém poderia prever o espetáculo que aquela noite reservava.
Urias abriu o placar para o Palmeiras. Pelé empatou. Pagão virou o jogo para o Peixe: 2 a 1. Nardo empatou de novo. No entanto, a partir daí, o Santos passou a dominar o rival. Dorval colocou o time do técnico Lula à frente no placar; com uma de suas famosas bombas de canhota, Pepeampliou a vantagem, e Pagão marcou outro, colocando o Peixe em um indiscutível 5 a 2 antes do intervalo.
“Falei no vestiário que eles seriam capazes de reverter cinco gols, mas, se marcássemos dez, eles estariam perdidos”, lembrou Zito. “Vamos destruir o Palmeiras hoje.”

Enquanto Lula inflamava os seus jogadores para aplicar uma humilhação histórica nos rivais, Osvaldo Brandão, técnico do Verdão, tinha um problema e tanto para resolver. “O nosso goleiro Edgar começou a chorar no intervalo”, revelou Mazzola. “Ele dizia: ‘não posso voltar’. Então, o Brandão colocou em campo o Vítor, um jovem goleiro reserva.”

No entanto, apesar da inexperiência, Vítor começou a parar os perigosos ataques do Santos com grandes defesas. Lá na frente, os atacantes do Palmeiras começaram a tornar possível o que parecia impossível. Paulinho diminuiu a diferença antes que Mazzola fizesse mais dois gols e empatasse o placar. Então, faltando dez minutos para o fim, Urias colocou o Palmeiras na frente: 6 a 5.

O Verdão conseguia uma milagrosa virada. Porém, para azar dos palmeirenses, aquela foi apenas a primeira de duas incríveis reviravoltas na partida, assistida por privilegiados 43 mil torcedores no estádio do Pacaembu. Pepe, cuja altíssima média de gols devia-se quase que exclusivamente à sua incrível canhota, marcou dessa vez com a direita, e a seguir de cabeça, colocando o Santosna frente de novo: 7 a 6. Ao final da partida, os torcedores de ambos os times aplaudiram efusivamente os jogadores, tanto os santistas quanto os palmeirenses. Os atletas de lado a lado se abraçaram.

“Quando o jogo acabou, nem nós conseguíamos acreditar, foi uma virada incrível”, confessou o meia santista Jair da Rosa Pinto. “Foi inacreditável”, completou Mazzola. “Até hoje há torcedores que me param nas ruas para me perguntar sobre aquele jogo. Ninguém esquece.”

“Fazer gol com a perna direita e com a cabeça foi algo raríssimo na minha carreira”, lembra Pepesobre o duelo que completa 55 anos nesta quarta-feira. “Naquele jogo, fiz gols de todos os jeitos. Foi uma das maiores partidas da história do futebol brasileiro.”

Horas depois, o principal herói daquela inesquecível noite foi até a parada de ônibus, entrou na fila de forma anônima e, por volta das 3h da manhã, sentou-se em um banco e voltou para casa. E foi bom ele aproveitar: o anonimato era algo que para Pepe, Pelé, Zito e Mazzola estava definitivamente com os dias contados.

Fontes: FIFA.com – santosfc.com.br
Edição: Ramon Paixão – editor chefe do Jornal Escanteio

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