Em 1962: Gre-Nal 161 foi o primeiro disputado no Interior do Rio Grande do Sul – 1909 Grêmio 10 x 0

Clássico valeu pela Taça Jubileu de Prata da Refinaria Ipiranga, e o Grêmio venceu por 2 a 1

No feriado do Dia da Pátria do distante 1962, a Dupla jogou em Rio Grande o primeiro Gre-Nal fora de Porto Alegre. O clássico 161 foi amistoso e valia a Taça Jubileu de Prata da Refinaria Ipiranga. O Inter saiu na frente, mas o Grêmio virou e venceu: 2 a 1.
Nas orações noturnas, Rio Grande pediu sol na sexta-feira, feriado nacional. Choveu de madrugada, o tempo ruim avançou, as nuvens carregadas ocuparam a tarde, escureceram o campo de jogo. O bem cuidado Estádio Waldemar Fetter, do Sport Club São Paulo, na Avenida Presidente Vargas, sofreu com a chuvarada. Num dia sem luz, os guarda-chuvas pretos abertos deram o tom nas arquibancadas com um público quase 100% masculino e adulto. Quase não se viu bandeiras. Camisetas vestindo torcedores era raridade.
O primeiro Gre-Nal disputado no Interior, no dia 7 de setembro de 1962, nasceu como puro amistoso. Valia a Taça Jubileu de Prata da Refinaria Ipiranga. A renda gerada pelo jogo receberia lugar nos magros cofres de entidades carentes da cidade do sul do Estado, a mais de 300 quilômetros de distância de Porto Alegre.
Os dois mais populares clubes do Rio Grande do Sul aceitaram logo o convite especial. Ficaram honrados. Prometeram viajar com os melhores, usar o menor número de aspirantes possíveis. Só os machucados ficariam em casa.
Depois de atuar durante seis ininterruptas décadas na Escola de Guerra, na Chácara dos Eucaliptos, na Baixada, na Chácara das Camélias, no Campo do Porto Alegre, no Tiradentes, na Timbaúva, na Montanha, no Passo da Areia, nos Eucaliptos e no Olímpico, seria bom fazer uma apresentação no Interior, onde a torcida crescia em número e em fanatismo, tudo verificado no árduo Campeonato Gaúcho. O jogo seria um brinde aos torcedores e, claro, uma boa ação.
O clássico ganhou sotaque de Gauchão logo nos gestos iniciais dos 22 jogadores. Mesmo na metade do século passado, jogo de cortesia não fazia parte do DNA da Dupla.

O coro engrossou de saída, segundos depois da primeira tentativa de drible. O barro batizou as chuteiras e lubrificou os carrinhos. As antagônicas camisas azuis e vermelhas refletidas na água acumulada na grama rala acirrou a disputa. Nada de violência, só entradas firmes, viris, atípicas em amistosos, como garantiam os cartazes que convocavam o público.
Na semana anterior, o Inter havia pedido que a Federação Gaúcha importasse um árbitro argentino. O clube estava desconfiado com a arbitragem brasileira. A reinvidicação não foi aceita, nem com explicações e longas reuniões, e o local Mário Severo ganhou o apito. Os dirigentes gremistas se mantiveram à parte na discussão.
Quinta-feira, 24 horas antes do Gre-Nal, dois ônibus deixaram os pátios dos estádios Olímpico e Eucaliptos quase no mesmo horário. Pedro da Silva Pereira liderava a delegação dos azuis. Luiz Fagundes de Mello, sentado no primeiro banco, comandava os outros 17 jogadores.
Se quisessem relaxar mais tarde, poderiam assistir ao premiado O Pagador de Promessas, com Leonardo Villar, ou Feitiço Havaiano, com Elvis Presley, que estavam em cartaz nos cinemas de Rio Grande. Não poderiam, com certeza, espichar a noite. O sono noturno era uma obrigação do jogador de futebol desde muito tempo.
Líder do campeonato regional, com quatro pontos perdidos, conforme a contagem da época, quando a vitória valia apenas dois pontos e não três como hoje, dois na frente do tradicional adversário e do Floriano, de Novo Hamburgo, o Inter começou no ataque. Acelerou. Quatro clássicos sem vitória, pressionado, o histórico centroavante Flávio Minuano fez 1 a 0 logo aos cinco minutos.
O Grêmio reagiu oito minutos depois, com um gol de Elton, que estava na mira do Botafogo. Ele marcou de pênalti, quase um canhão no canto de Gainete. A virada gremista nasceu logo depois do intervalo, obra do goleador Marino. Outras chances de gols nasceram em ambos os lados. O escore se acomodou no 2 a 1, muito pelas performances de Henrique e de Gainete.
Os times jogaram assim:
Grêmio: Henrique, Valério, Airton, Altemir e Ortunho; Elton e Milton (Fernando); Adroaldo, Gessy, Marino e Volnei II.
Intermacional: Gainete; Zangão, Ari, Cláudio e Ezequiel; Osvaldinho e Gilberto; Sapiranga (Bedeuzinho), Alfeu, Flávio e Bedeuzinho (Sérgio Lopes) – Bedeuzinho saiu e voltou.
No final, os jogadores se cumprimentaram, sem troca de camisas, os dirigentes se abraçaram e a plateia, encharcada, aplaudiu. As delegações jantaram em locais separados e tomaram rapidamente a estrada de volta. Os atletas não ganharam folga. Continuaram em ritmo de concentração.
Domingo, dia 9, 48 horas depois do primeiro enfrentamento no Interior, outro compromisso com a bola animava os times. O Olímpico receberia o Gre-Nal 162, válido pelo Dia do Cronista.
O torcedor que comparecesse ao estádio concorreria a um fogão Wallig e poderia ouvir as bandas dos colégios das Dores e do Rosário, antes de uma revoada de pombos.
Ah, o resultado foi 1 a 1, gols de Milton e Zangão. O sol inundou a tarde do Olímpico !

Por Luiz Zini Pires – Zero Hora(Porto Alegre)

luiz.zini@zerohora.com.br

Gre-Nais com nome e sobrenome:
O “Gre-Nal do Fim do Olímpico” , que terminou empatado em 1×1 entra para a lista dos clássicos que estão na história e que trazem uma façanha em seu nome

Cartaz do primeiro Gre-Nal disputado em 1909: GRÊMIO 10 x 0 INTER



O confronto Grêmio e Internacional começou muito cedo. Em 1913, o Internacional tem a primeira vitória sobre o Grêmio e aí já começa uma rivalidade forte. Até que, já em 1922, houve um crime num Gre-Nal, um torcedor gremista esfaqueou um atleta do Internacional na Baixada.

Grêmio x Internacioal  já se enfrentaram desde 1909 quase 400 vezes (397 no empate em 1 x 1 na despedida do Estádio Olímpico), sendo 125 vitórias em favor do Grêmio, 123 empates e 149 vitórias do Internacional. Em outubro de 2008, jornalistas nacionais e internacionais foram consultados pela revista Trivela e elegeram o Gre-Nal como o “maior clássico do Brasil” . Isto porque o Gre-Nal praticamente divide ao meio todo o Estado do Rio Grande do Sul. Em outros estados, o número de grandes clubes chega, às vezes, até a quatro.



GRÊMIO 10 x 0 INTERNACIONAL

Em 21 de junho de 1909, quatro representantes do Internacional reuniram-se com os representantes do Grêmio na sede da Sociedade Leopoldina Porto Alegrense, para tratarem do primeiro confronto entre os dois clubes . O Internacional, fundado dois meses antes, convidaria o Grêmio para ser o seu primeiro adversário . A partida inicialmente seria realizada em 27 de junho . Com a proximidade de um jogo com o Fuss-Ball, previamente marcado, o então presidente do Grêmio, major Augusto Koch, declarou que sua equipe enfrentaria o Internacional com o segundo quadro (time reserva). 

Os dirigentes do Internacional, por sua vez, não aceitaram e exigiram que seu adversário jogasse com o time principal . A diretoria gremista concordou. Porém, como a agenda do clube estava lotada, a partida seria realizada somente no mês seguinte.


O primeiro Gre-Nal da história ocorreu no dia 18 de julho de 1909, em um domingo, no Estádio da Baixada (que pertencia ao Grêmio). Às 15 horas e 10 minutos, as duas equipes entraram no campo da Baixada, precedidas pelos respectivos presidentes e pela banda da Brigada Militar. Os jogadores do Grêmio trajavam camisa dividida verticalmente em metade azul e metade branca, com calções pretos. Já os do Internacional vestiam camisa listrada verticalmente em vermelho e branco, com calções brancos. O público presente era estimado em duas mil pessoas.


O árbitro da partida foi Waldemar Bromberg, sendo juízes de linha João de Castro e Silva e H. Sommer, e juízes de gol Theobaldo Foernges e Theodoro Bugs. Os juízes de gol ficavam sentados num banquinho ao lado das goleiras, indicando se a bola entrava ou não no gol, pois na época não havia redes nas goleiras.

O pontapé inicial fora dado por Edgar Booth que, aos 10 minutos, marcou o primeiro gol do jogo e da história do clássico. Booth ainda marcou mais quatro gols, sendo o restante dos tentos marcados por Júlio Grünewald (4 gols) e Moreira (1 gol), totalizando o placar em 10 a 0 para o Grêmio, a maior goleada da história dos Gre-Nais.


GREMISTAS: 

* Gre-Nal dos 10×0 (21 de junho de 1909) Um Inter recém-fundado e ainda embrionário desafiou o Grêmio já estabelecido, com seis anos de vida, para o primeiro clássico da história, na Baixada. Quando ouviu o convite para a partida, o presidente gremista, Augusto Koch, chegou a oferecer o “segundo quadro” do clube. Os colorados se ofenderam e convenceram os rivais a colocar sua equipe principal em campo. O resultado foi um massacre tricolor. Aproveitando-se da inexperiência e da fragilidade do adversário, o Grêmio empilhou gols e venceu por 10 a 0. Booth (5), Grünewald (4) e Moreira marcaram.

* Gre-Nal Farroupilha (22 de setembro de 1935)


Foto: Reprodução, Revista Imortal Tricolor

Porto Alegre atravessava o ano comemorando o Centenário da Guerra dos Farrapos _ e o certame de futebol da cidade ganhou importância simbólica com o apelido de Campeonato Farroupilha. No Gre-Nal da decisão, na Baixada, o Inter só precisava de um empate e dominou o jogo inteiro. Mas faltando dois minutos para o fim da partida, Foguinho acertou um chutaço de fora da área, fez 1 a 0 para o Grêmio, recuperou a saída de bola e deixou Laci livre para marcar o segundo. Após a vitória, o técnico Sardinha I sugeriu que o título fosse comemorado por mais um século. E até hoje, em 22 de setembro, o Grêmio realiza o Jantar Farroupilha em homenagem àquela conquista heroica.

* Gre-Nal das Faixas (26 de janeiro de 1984)Com o Grêmio campeão mundial, os colorados viviam uma fase de orgulho ferido. “Eles podem ser campeões do mundo, mas aqui no Rio Grande mandamos nós”, afrontou o zagueiro Mauro Galvão, referindo-se ao tricampeonato gaúcho do Inter. Contrariado, Renato propôs um amistoso no Olímpico para mostrar quem realmente mandava. Em um ato simbólico, os jogadores do Grêmio receberam dos colorados as faixas de campeão do mundo, e os do Inter receberam dos gremistas as faixas de campeão gaúcho. Com a bola rolando, o Grêmio saiu perdendo, mas acabou virando por 4 a 2.

* Gre-Nal do Centenário (19 de julho de 2009)O Grêmio não ganhava Gre-Nal havia quase dois anos _ sete clássicos sem vitória. E aquele primeiro Gre-Nal do Brasileirão ocorreria exatamente um século após o primeiro clássico da história. Favorito, o Inter disputava as cabeças do campeonato, enquanto o Grêmio patinava na competição. Nilmar abriu o placar com um golaço no Olímpico, mas os gremistas viraram com Souza e Maxi López. No dia seguinte ao clássico, anúncios de página inteira nos jornais, assinados pelo Grêmio, corneteavam: “Cem anos depois, a história se repete: deu Grêmio”.

COLORADOS: 
* Primeiro Gre-Nal do Olímpico (26 de setembro de 1954)
O Grêmio foi massacrado no primeiro clássico do recém-inaugurado Estádio Olímpico. Lá pela metade do segundo tempo, o Inter passeava em campo goleando por 4 a 1, quando o goleiro gremista Sérgio, revoltado com os colegas de time, desistiu do jogo e deixou o gramado resmungando. Alguns jogadores do Inter correram até ele, e aí ouviu-se a voz do atacante Bodinho: “Volta, covarde, vem tomar mais quatro”. Ofendido, Sérgio voltou. E tomou mais dois _ ambos de Larry, que já havia marcado outros dois. A partida terminou com um histórico 6 a 2 para o Inter.
* Gre-Nal do Gol 1.000 (10 de julho de 2004) Ainda desconhecido da torcida, um atacante de 26 anos _ que mais tarde lideraria o Inter em algumas de suas maiores glórias _ brilhou pela primeira vez naquela tarde gelada no Beira-Rio. Quando o jogo começou, faltavam dois gols para o milésimo da história dos Gre-Nais. Depois que o Inter marcou o primeiro, com uma cabeçada de Vinícius, todos os que estavam em campo sabiam que um deles poderia ser o autor de um gol antológico. Estreando no time, ao 35 minutos do segundo tempo, Fernandão aparou de cabeça o cruzamento de Élder Granja. Ele fez 2 a 0 e ouviu os gritos de Rafael Sóbis: “É o gol mil, cara, é o gol mil, Fernandão!”
* Gre-Nal do Século (12 de fevereiro de 1989) Pela primeira vez, Grêmio e Inter se enfrentavam em uma semifinal de Campeonato Brasileiro, o que garantiria ao vencedor uma vaga na Libertadores, além do direto de brigar pelo título nacional. Era o Gre-Nal do Século. O Grêmio fez 1 a 0 com Marcos Vinícius e, no fim do primeiro tempo, o lateral colorado Casemiro foi expulso após uma falta violenta. Mesmo com um a menos, o Inter virou o jogo com dois gols do centroavante Nilson Esídio, que jogou com uma faixa atada ao joelho direito. No fim da partida, Nilson explicou: “Meu problema era no tornozelo esquerdo, mas eles deram porrada na minha perna direita a tarde inteira”.
* Gre-Nal dos 5 a 2  (24 de agosto de 1997) 

Foto: Valdir Friolin, Banco de Dados ZH
O Inter já ganhava por 1 a 0, gol de Christian, quando o árbitro distribuiu cartões vermelhos durante uma troca de socos e empurrões. Ficaram nove para cada lado no Olímpico, e o atacante Fabiano, em uma das maiores atuações individuais já vista em Gre-Nal, acabou com a partida. Livre de marcação, Fabiano corria e driblava na esquerda e na direita, até que acertou o passe para Sandoval fazer o segundo gol, depois marcou o terceiro e também o quarto. Marcelo fez o quinto. Antes da partida, o futuro herói quase perdera o ônibus da delegação rumo ao Olímpico: estava no banheiro e saiu correndo atrás do veículo.

Confusões: 
– Gre-Nal dos Cem Feridos (4 de agosto de 1918) 
O Grêmio não vencia clássicos desde 1913 quando entrou em campo, na Baixada, para um dos Gre-Nais mais tumultuados da história. Garibotti marcou o gol gremista que abriu o placar, mas o que se viu depois demonstrava que o ódio já estava arraigado entre as torcidas e os times. Uma discussão sobre quem deveria cobrar um lateral passou do campo para as arquibancadas, e logo os torcedores estavam dentro do gramado, iniciando um quebra-quebra. Em torno de 100 pessoas ficaram feridas, incluindo Ribas, meia colorado esfaqueado por um torcedor.
* Primeiro Gre-Nal do Beira-Rio (20 de abril de 1969)

Foto: Banco de Dados, ZH

O Grêmio queria vingança pela humilhação dos 6 a 2 enfiados pelo Inter na inauguração do Olímpico _ e o amistoso de inauguração do Beira-Rio não virou uma batalha. O ex-goleiro gremista, Sérgio, que tomara seis gols 15 anos antes, agora era técnico do time. A violência da partida era evidente desde os primeiros minutos, mas foi no segundo tempo que a pancadaria começou: jogadores e comissão técnica ocuparam o gramado inteiro para distribuir cruzados, jabs, chutes e voadoras. Com o placar em 0 a 0, vinte atletas foram expulsos naquele jogo que nunca acabou.

NA HISTÓRIA DOS CONFRONTOS: 397 JOGOS

Grêmio x Internacioal já se

já se enfrentaram quase 400 vezes, desde 1909, sendo 125 vitórias em favor do Grêmio, 123 empates e 149 vitórias do Internacional.

Em outubro de 2008, jornalistas nacionais e internacionais foram consultados pela revista Trivela e elegeram o Gre-Nal como o “maior clássico do Brasil”2 . Isto porque o Gre-Nal praticamente divide ao meio todo o Estado do Rio Grande do Sul. Em outros estados, o número de grandes clubes chega, às vezes, até a quatro.


38 saldo do Internacional

Fontes:
 Por Luiz Zini Pires
luiz.zini@zerohora.com.br
Zero Hora(Porto Alegre)

Edição no Blog: Ramon Paixão

editor chefe do Jornal Escanteio

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