Santos, Corinthians e CBF lamentam perda do eterno ídolo Gylmar dos Santos Neves


O Santos FC está de luto. O Clube perdeu, neste domingo, um dos maiores ídolos de sua história: o ex-goleiroGylmar dos Santos Neves, bicampeão Mundial (1962/63) e da Libertadores (1962/63) pelo Peixe. Gylmar estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, falecendo aos 83 anos. O ex-goleiro será velado a partir das 6 horas desta segunda-feira (25/08) no cemitério do Morumbi, onde será sepultado às 15 horas.

Gilmar se recuperava de um AVC (acidente vascular cerebral) sofrido em 2000. Após a vitória santista do último sábado, o técnico e ex-goleiro Claudinei Oliveira dedicou o resultado positivo a Gilmar.

Um dos maiores arqueiros da história do futebol brasileiro, Gylmar atuou em 330 partidas pelo Peixe de 1962 a 1969, sendo o quarto goleiro com mais jogos disputados pelo Santos FC. Pelo Clube, além do bi Mundial e da Libertadores, foi campeão Brasileiro (1962/1963/1964/1965/1968), do Torneio Rio-São Paulo (1963/1964/1966), Paulista (1962/1964/1965/1967/1968), da Recopa Sul-Americana (1968) e da Recopa Mundial (1968). Pela Seleção Brasileira, foi titular nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962.

LUTO OFICIAL DO PEIXE
O presidente em exercício Odílio Rodrigues Filho decretou luto de três dias pelo falecimento do maior goleiro de todos os tempos, o mito Gylmar dos Santos Neves.

“O Gylmar foi exemplo dentro e fora de campo para santistas e brasileiros. É o goleiro mais vencedor da história do futebol e deixa um legado inesquecível. Gostaríamos de manifestar nossa solidariedade a toda a família e amigos do Gylmar. Que ele descanse em paz e nos ilumine lá de cima”, disse o presidente.


NOTA DO  CORINTHIANS

Gylmar dos Santos Neves, eternamente em nossos corações

Goleiro defendeu o Corinthians por dez anos

Goleiro defendeu o Corinthians por dez anos

O Sport Club Corinthians Paulista está de luto. Neste domingo (25), Gylmar dos Santos Neves, para muitos o maior goleiro da história do Timão, faleceu aos 83 anos, em São Paulo.

Ídolo
Gylmar fez história ao defender o gol corinthiano em 395 partidas, entre 1951 a 1961, e conquistar quatro títulos: três Campeonatos Paulistas (1951, 52 e 54) e um Rio-São Paulo (1954).
As excelentes atuações com a camisa do Corinthians renderam convocações para a Seleção Brasileira. Como titular, teve participação decisiva na então inédita conquista brasileira da Copa do Mundo, em 1958, na Suécia. Quatro anos depois, no Chile, foi bicampeão.
Até hoje, as excelentes atuações de Gylmar são reverenciadas. Na edição especial da Revista Placar sobre o centenário do Corinthians, publicada em 2010, ele foi considerado o melhor goleiro e o quinto jogador mais importante da história do clube.Obrigado, Gylmar! Você está guardado eternamente em nossos corações.

LUTO: NOTA DA CBF
Morre Gilmar dos Santos Neves, o goleiro do Brasil bicampeão do mundo

Depois de Djalma Santos, em julho, de De Sordi, neste sábado, mais um campeão do mundo, GYlmar dos Santos Neves, faleceu neste domingo, em São Paulo, no Hospital Sírio Libanês, onde estava internado em decorrência de um enfarte. Gylmar foi goleiro consagrado do Corinthians, Santos (por quem foi bicampeão da Libertadores e do mundo de clubes ) e da Seleção Brasileira bicampeã mundial em 1958/1962.

O presidente Marin lamentou a morte do goleiro que os brasileiros aprenderam a admirar pelo estilo elegante, de grandes defesas, uma referência para várias gerações de camisas nº 1.

– O futebol brasileiro está de luto. Depois do De Sordi, agora o Gilmar, jogadores que fizeram que os torcedores brasileiros sentissem orgulho. Meus pêsames. em nome dos diretores e funcionários da CBF, à família deste que foi um dos maiores goleiros do Brasil de todos os tempos.

O presidente da CBF, além do luto oficial, determinou que a Seleção Brasileira jogue também de luto contra a Austrália no dia 7 de setembro, em Brasília.

– Além de um grande goleiro, foi um ídolo mundial, um exemplo de jogador e cidadão. A Seleção Brasileira. que ele tão bem representou, jogará de luto no dia 7 de setembro contra a Austrália. 

GYLMAR

Nome: Gylmar dos Santos Neves.

N: 22 de agosto de 1930, em Santos (SP).

Posição: Goleiro.

Pela Seleção Brasileira: 104 jogos, 73 vitórias, 15 empates, 16 derrotas, 104 gols sofridos.

Títulos: Copa do Mundo (1958, 1962); Taça Bernardo O’Higgins (1955, 1959, 1961); Taça Oswaldo Cruz (1955, 1958, 1961, 1962, 1968); Taça do Atlântico (1956, 1960) Copa Rocca (1957, 1960, 1963).

Jogos em Copa do Mundo: 14 jogos (1958 – 6), (1962 – 6), (1966 – 2).

Gols sofridos em Copa do Mundo: 13 gols (1958 – 4), (1962 – 5), (1966 – 3).

Clubes da carreira: Jabaquara A. C. (Santos-SP) (1951); S. C. Corinthians Paulista (SP) (1951 a 1961); Santos F. C. (1962 a 1969).

Outros Títulos: Campeonato Paulista (1951, 1952, 1954, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968); Taça Cidade de São Paulo (1952); Torneio Rio-São Paulo (1953, 1954, 1963, 1964, 1966); Pequena Taça do Mundo (1953); Campeonato Brasileiro de Seleções (1955-SP, 1956-SP, 1959-SP); Copa Mundial Interclubes (1962, 1963); Copa Libertadores da América (1962, 1963); Taça Brasil (1962, 1963, 1964, 1965); Torneio Hexagonal do Chile (1965); Torneio da Caracas (VEN) (1965); Torneio Quadrangular de Buenos Aires (ARG) (1965); Torneio de Nova York (USA) (1966); Taça de Prata (1968), Recopa Sul-Americana (1968), Recopa Mundial (1968), Torneio Quadrangular Roma-Florença (1968); Torneio da Amazônia (1968); Torneio Octogonal Nicolau Morán (CHI) (1968); Torneio Pentagonal de Buenos Aires (ARG) (1969); Torneio de Cuiabá (1969

Relembre a trajetória de Gylmar dos Santos Neves no futebol
Gylmar começou a carreira aos 15 anos, quando ingressou no juvenil do Hespanha, clube de origem espanhola que ficou conhecido como Jabaquara, justamente por estar localizado no bairro de igual nome, em Santos. Foi efetivado como titular quatro anos depois – recém-saído do Exército como “Cabo Neves” – e considerado revelação logo no seu primeiro Campeonato Paulista. Porém, demorou a chamar a atenção dos grandes clubes. Quis o destino que fosse parar num deles como contrapeso, algo natural nas transferências daquela época.
Em 1951, dirigentes do Corinthians chegaram ao modesto campo do “Jabuca” atrás de um reforço para o meio-campo. O alvo era o volante Ciciá, um negrinho esperto e altamente técnico. Porém, o Jabaquara só aceitou negociar sua estrela se entrasse na negociação também o jovem Gilmar. O Alvinegro, mesmo já bem servido no gol – tinha ninguém menos que o goleiro reserva da seleção brasileira, Cabeção – topou. Assim, em maio daquele ano, Gilmar desembarcava no Parque São Jorge.
Desembarcou é modo de se falar. A jovem contratação não se mudou de imediato para São Paulo, ia e voltava todo dia de Santos. Mesmo dessa maneira quase anônima, não demorou muito a conquistar a vaga de titular. Porém, no seu 20° jogo, caiu em desgraça. Considerado culpado por uma derrota por 7 a 3 diante da Portuguesa num domingo de muita chuva no Pacaembu, foi afastado e só ganharia nova chance cinco meses depois, já em 52. Então, a história mudou e ele se transformou no maior goleiro da história do clube.
Após passagem pelo Corinthians, Gilmar dos Santos Neves chegou ao seu auge no Santos(Acervo/Gazeta Press)

Conquistou o bicampeonato paulista de 51 e 52 (somente o último como titular), o Rio-São Paulo de 54 e, no mesmo ano, um dos títulos mais festejados de todos os tempos: o de campeão paulista de 54, ou, como ficou conhecido, o campeão do IV centenário da cidade de São Paulo. Dizia-se, na época, que o clube que levantasse aquela taça seria o maior campeão paulista da história. E Gilmar ficou conhecido como “o supremo guardião do IV Centenário”, como dizia uma das faixas levadas a campo por um torcedor na festa do título.
Depois do título de 54, até então o maior de sua história, o Corinthians conheceu sua pior fase. Ficaria 22 anos na fila, sendo a vítima preferida do Santos de Pelé. Coube a Gilmar tentar, por sete anos, evitar a festa do Rei e companhia, tarefa impossível fazendo parte de times apenas modestos. Mas o período de agonia do goleiro terminou de maneira irônica: após sofrer intensas críticas do presidente Vadih Helou, que o acusava de não treinar com dedicação, deixou o clube e foi imediatamente aceito no rival.
Foi no Santos que Gilmar conheceu sua melhor fase. Fez parte do time épico que ganhou quase de tudo na década de 60, desde Campeonatos Paulistas até Mundiais Interclubes. Excursionou por todo o mundo e demonstrou toda a sua categoria. Permaneceu na Vila Belmiro até o final da década, quando, beirando os 40 anos, decidiu pendurar as chuteiras.
Ao lado de Pelé, o goleiro conquistou duas edições da Copa do Mundo (1958 e 1962) Acervo/Gazeta Press
Seleção Brasileira
O primeiro contato de Gilmar com a camisa amarela foi em março de 53, em Lima, no Peru, quando substituiu Castilho, do Fluminense. O Brasil venceu por 8 a 1 e, dali, por diante, o goleiro foi figura constante nas convocações.Defendeu a seleção em três Copas do Mundo (58, 62 e 66), totalizando103 jogos ao longo de 16 anos. Sua despedida foi numa vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, em 1969.
Seu jogo inesquecível, segundo ele mesmo, foi a final da Copa da Suécia: 5 a 2 sobre os donos da casa e show de bola do então menino Pelé. Gilmar, inclusive, chorou no terceiro gol brasileiro, marcado justamente pelo camisa dez. “O povo sueco gostava muito de nós e aplaudiu a conquista. Até fizemos o rei sorrir”.
Gilmar morreu aos 83 anos, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral e um infarto sofrido no dia 23 de agosto de 2013.
Fontes; Santos FC – Agência Corinthians 
– Gazeta Esportiva -Assessoria da CBF
Edição: Ramon Paixão
editor chefe do Jornal Escanteio

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