100 anos do brasileiro mais famoso antes de Pelé: Leõnidas, que será homenageado pela Seleção


Leônidas da Silva foi o brasileiro mais popular nos anos 1930 e 1940. Conhecido como Homem Borracha no exterior, depois de encantar o mundo nas Copas de 1934 e 1938, foi um artilheiro e jogador extraordinários. Diamante Negro no Brasil, Leônidas da Silva honrou a camisa da Seleção Brasileira – disputou 37 jogos e marcou 37 gols. É o artilheiro com a melhor média de gols da história da Seleção: um gol por partida.
Atacante que popularizou a bicicleta, marcando muitos gols, Leônidas da Silva brilhou em todos os clubes por onde passou. Campeão carioca pelo Vasco em 1934 e pelo Botafogo, em 1935, foi ídolo maior no Flamengo, clube que ajudou a popularizar e ter a maior torcida do Rio de Janeiro, e no São Paulo – transferido do Flamengo, em 1942, por uma soma fabulosa de dinheiro à época, viajou de trem, da Central do Brasil, e foi recebido em delírio por uma multidão que o conduziu da Praça da Sé até a sede do clube paulista.
Leônidas da Silva, que morreu em 24 de janeiro de 2004, aos 90 anos, foi campeão carioca pelo Flamengo em 1939 e cinco vezes pelo São Paulo (43/45/46/48/49). Um dado comum aos dois clubes: marcou 142 gols com a camisa rubro-negra e 142 gols com a camisa tricolor. 
Carioca, Leônidas da Silva começou a jogar futebol no então São Cristóvão, depois no Sírio Libanês. Transferido para o Bonsucesso, começou a chamar a atenção com seu futebol em que a genialidade já despontava em lances que eram então raridade.
Jogou no Vasco, Botafogo, no Flamengo, no Peñarol, mas foi no São Paulo que se tornou o ídolo maior e motivo de mais admiração ainda de todos os brasileiros – tinha a fama  só comparável à que Pelé conseguiria no final dos anos 1950.   
Faltou a Leônidas da Silva, como de resto a tantos outros craques brasileiros, o título de campeão do mundo. No caso do Homem Borracha, por um motivo trágico: a II Guerra Mundial impediu a realização das Copas do Mundo de 1942 e 1946 quando ele estava no ainda no auge.
FONTES: Gerência de Memória da CBF e “O Diamante Eterno, Biografia de Leônidas da Silva”, de André Ribeiro.
LEÔNIDAS DA SILVA 
Nascimento: 6 de setembro de 1913, no Rio de Janeiro (RJ). 
Morte: 24 de janeiro de 2004, em São Paulo (SP). 
Posição: Atacante. 
Pela Seleção Brasileira: 37 jogos, 20 vitórias, 8 empates, 9 derrotas, 37 gols.
Contra Seleções Nacionais: 18 jogos, 7 vitórias, 4 empates, 7 derrotas, 20 gols. 
Contra Seleções Estaduais, Clubes e Combinados: 19 jogos, 13 vitórias, 4 empates, 2 derrotas, 17 gols 
Jogos Oficiais da FIFA: 6 jogos, 3 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 6 gols. 
Títulos: Copa Rio Branco (1932); Copa Roca (1945).
Outros clubes: São Cristóvão F. R. (RJ) (1929); Sírio e Libanês F. C. (RJ) (1929 a 1930); Bonsucesso F. C. (RJ) (1931 a 1932); C. A. Peñarol (URU) (1933); C. R. Vasco da Gama (RJ) (1934); S. C. Brasil (RJ) (1935); Botafogo F. R. (RJ) (1935 a 1936); C. R. Flamengo (RJ) (1936 a 1941); São Paulo F. C. (SP) (1942 a 1951). 
Outros Títulos: Campeonato Brasileiro de Seleções (1938, 1940-RJ, 1942-SP); Campeonato Carioca (1934, 1935, 1939); Campeonato Paulista (1943, 1945, 1946, 1948, 1949). 
Artilheiro da Copa do Mundo de 1938 – sete gols 

Marin, o primeiro agachado da esquerda para a direita, no time do São Paulo de 1950
Presidente da CBF  José Marin jogou com Leonidas e conta histórias sobre o craque
O presidente da CBF José Maria Marin, em nome dos diretores e funcionários da entidade, vem se associar aos brasileiros que homenageiam neste dia 6 de setembro o centenário de Leônidas da Silva, o brasileiro mais famoso dos anos 1930/1940 e que morreu no dia 24 de janeiro de 2004.
Mais do que prestar um tributo como dirigente, José Maria Marin tem histórias para contar sobre Leônidas. O ponta-direita Marin participou do último jogo oficial de Leônidas pelo São Paulo, no dia 3 de dezembro de 1950, e foi jogador também com Leônidas como técnico e auxiliar técnico de Vicente Feola.
– Os craques do São Paulo na época estavam disputando a Copa do Mundo. Então, o São Paulo formou um time conhecido como o “time da perua”, pois íamos para os jogos em uma camionete.
O presidente da CBF escala até hoje o ataque do “time da perua”: Marin, Ponce de Leon, Bóvio (Gustavo),  Leopoldo e Teixeirinha. 
– O goleiro era o argentino Poy. Tinha também o De Paula, Jacó. Ficamos 30 partidas sem perder.
Marin lembra que Leônidas da Silva, se seguisse a carreira, seria um grande técnico. Ele mostrava na prática como se fazia.
– Como foi um jogador espetacular, ele não se limitava a dar instrução. Mostrava como bater na bola, como fazer um cruzamento, cobrar um córner. 
O presidente da CBF teve o privilégio também de ver Leônidas da Silva jogando pelo São Paulo. Ele conta que a grande atração do futebol brasileiro na época eram os duelos entre dois monstros sagrados.
– Todo clássico São Paulo x Corinthians era um atração à parte, um jogo especial. Os duelos do maior zagueiro do mundo, o Domingos da Guia, pelo Corinthians, contra o maior atacante, o Pelé da época, o Leônidas, pelo São Paulo. O estádio lotava para ver esse confronto. 
Olímpia Futebol Clube 1 x 2 São Paulo Futebol Clube – última partida de Leônidas 
Amistoso Nacional (1950)*
Data: 03/12/1950 (domingo à tarde)
Local: Estádio Maria Tereza Breda (Olímpia/SP)
Público: Não disponível
Renda: Cr$ 90.000,00 (aprox.)
Arbitragem: Mario Gardelli (ARB).
Expulsões: Viana, 43’/1T (OFC); Elmo Bóvio, 25’/1T (SPFC).
Gols: Alemão (OFC); Augusto e Leopoldo, pênalti (SPFC).

Olímpia
Mascote; Aimoré e Prates; Bem, Pé de Valsa e Jorge; Alemão, Tide, Bambuí, Viana e Andrade.
Técnico: Não disponível

São Paulo FC
José Poy (Bertolucci), Savério (Gonzalez) e Mauro (Saltore); Bauer, Ruy (Alfredo Ramos) e Noronha (Jacó); Dido (Marin), Leônidas (Elmo Bóvio), Augusto (Ponce de León), Remo (Leopoldo) e Teixeirinha (De Camilo).
Técnico: Vicente Feola

* Esta foi a última partida de Leônidas da Silva como jogador. Pelo São Paulo FC, o lendário “Diamante Negro” marcou ao todo 141 gols em 212 jogos, com aproveitamento de 70% dos pontos disputados (137 vitórias, 37 empates e 38 derrotas)

Fonte: blog Baú do São Paulo
Jogos que Marin disputuu no São Paulo com Leônidas como técnico ou auxiliar
Bauru Atlético Clube 1 x 3 São Paulo Futebol Clube
Amistoso Nacional (1950)
Data: 01/05/1950 (segunda-feira à tarde)
Local: Estádio Antônio Garcia (Bauru/SP)
Público: Não disponível
Renda: Cr$ 70.000,00 (aprox.)
Arbitragem: Cirano Parreira de Andrade (ARB).
Gols: Dãozinho, 21’/1T (BAC); Bovio, 37’/1T, Marin, 39’/1T, e Ponce de Leon, 1’/2T (SPFC).

Bauru
Julio (Zinho); Pádua e Gino; Pedrinho, Argentino e Artaban (Carnossa); Sousa, Mario (Caio), Dãozinho, Dinho (Ditinho) e Fernando.
Técnico: Não disponível

São Paulo FC
Mário (Poy); Savério e Saltore; De Paula, Alfredo e Jacó (Dino); Marim (Luisinho), Augusto (Ponce de Leon), Bovio (Hélio), Leopoldo (Remo) e Teixeirinha (Dido).
Técnico: Não disponível

Sport Club Corinthians Paulista 1 x 2 São Paulo Futebol Clube
Torneio Quadrangular Lineu Prestes (1950)
Fase Única – 1ª Rodada
Data: 21/05/1950 (domingo à tarde)
Local: Estádio Municipal de São Paulo – Pacaembu (São Paulo/SP)
Renda: Cr$ 282.381,00
Arbitragem: Agnelo Leonardi (ARB).
Gols: Nelsinho, 9’/1T (SCCP); Bovio, 17’/1T e 42’/1T (SPFC).

Corinthians
Bino; Murilo e Belfare; Idario, Touguinha (Lorena) e Helio; Colombo (Noronha), Luizinho (Nenê), Nardo (Touguinha), Nelsinho e Noronha (Colombo).
Técnico: Não disponível

São Paulo FC
Poy; Savério e Saltore; De Paula (Nejo), Alfredo e Jacó; Marin (Dido), Ponce de Leon, Bovio, Remo (Leopoldo) e Teixeirinha.
Técnico: Vicente Feola

Associação Portuguesa de Desportos 0 x 4 São Paulo Futebol Clube
Torneio Quadrangular Lineu Prestes (1950)
Fase Única – 3ª Rodada
Data: 28/05/1950 (domingo à tarde)
Local: Estádio Municipal de São Paulo – Pacaembu (São Paulo/SP)
Renda: Cr$ 147.423,00
Arbitragem: Amleto Ricciareli (ARB).
Expulsão: Valter, 42’/2T (APD).
Gols: Leopoldo, 9’/1T, Augusto, 16’/1T, Ponce de León, 32’/1T, e Bovio, 35’/2T (SPFC).

Portuguesa
Bolivar (Ivo); Isam e Pedro; Arnaldo, Santos e Vicente (Luisinho); Eliseo (Niquinho), Renato (Nininho) Pinga II (Simão) e Simão (Valter).
Técnico: Não disponível

São Paulo FC
Poy (Bertolucci); Savério e Saltore; De Paula, Alfredo e Jacó (Dino); Marin, Ponce de León, Augusto (Bovio), Leopoldo (Remo) e De Camilo.
Técnico: Vicente Feola

Clube Atlético Votorantim 0 x 6 São Paulo Futebol Clube
Amistoso Nacional (1950)
Data: 08/06/1950 (quinta-feira à tarde)
Local: Estádio Municipal Domenico Paolo Metidieri (Votorantim/SP)
Público: Não disponível
Renda: Cr$ 55.000,00 (aprox.)
Arbitragem: Vicente Paradiso (ARB).
Gols: Bóvio, 2, Ponce de Leon, 2, De Camilo e Augusto (SPFC).

Votorantim
Palaia; Gaúcho I e Gaúcho II; Volpi, Jacob e Celso; Mimoso, Brotero, Teixeirinha (Alfredinho), Orlando e Miguel.


Técnico: Não disponível

São Paulo FC

Poy (Bertolucci); Savério e Saltore; De Paula, Alfredo (Nejo) e Dino (Clélio); Marin, Ponce de Leon, Augusto (Bóvio), Leopoldo (Remo) e De Camilo.
Técnico: Não disponível


São Paulo Futebol Clube 3 x 0 Esporte Clube XV de Novembro
Campeonato Paulista – 1ª Divisão (1950)
Fase Única – 15ª Rodada
Data: 09/12/1950 (sábado à tarde)


Local: Estádio Municipal de São Paulo – Pacaembu (São Paulo/SP)

Público: Não disponível
Renda: Cr$ 111.115,00
Arbitragem: Alwyn Bradley (ARB).
Expulsão: Bóvio, 33’/2T (SPFC).
Gols: Bóvio, 18’/1T, Teixeirinha, 7’/2T, e Marim, 43’/2T (SPFC).

São Paulo FC
Poy; Savério e Mauro; Bauer, Rui e Noronha; Marin, Bóvio, Augusto, Leopoldo e Teixeirinha.
Técnico: Não disponível

XV de Piracicaba
Alfredo; De Sordi e Idiarte; Pepino, Armando e Adolfinho; Russo, Mandu, Moreno, Gatão e Nelsinho.
Técnico: Não disponível

Seleção reverencia Leônidas pelo Centenário que completaria nesta sexta
A Seleção Brasileira vai homenagear Leônidas da Silva, o Pelé dos anos 1930/1940, no amistoso de amanhã contra a Austrália, às 16h15, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Os jogadores entrarão em campo com uma faixa alusiva aos 100 anos que Leônidas da Silva completaria nesta sexta-feira.
– Não podíamos deixar essa data tão significativa passar em branco. O Leônidas foi um gênio do futebol no seu tempo, depois transformou-se em um comentarista esportivo respeitado e merece todas as homenagens possíveis, como as que estão ocorrendo em todo o Brasil – disse o presidente José Maria Marin.
O presidente da CBF diz que a Seleção Brasileira vai prestar uma homenagem carregada de simbolismo.
– Nada mais justo que os atuais jogadores reverenciem um craque que honrou a camisa da Seleção Brasileira, que tornou nosso futebol tão admirado na Copa do Mundo de 1938, quando foi o artilheiro do Mundial.

Chocolate Diamante Negro

Quem aí sabia que o nome Diamante Negro veio do jogador (e artilheiro de Copa do Mundo) Leônidas da Silva? Hoje ele completaria 100 anos de vida e essa é a nossa homenagem! Uma joia de chocolate que está presente na vida de muuuuita gente.

São Paulo entrega homenagens a viúva de Leônidas
Viúva de Leônidas da Silva, Dona Albertina não conseguiu conter a emoção durante a homenagem prestada pelo São Paulo FC a um dos maiores ídolos da história do Tricolor em todos os tempos, momentos antes do início da partida na noite da última quinta-feira (5), no Estádio do Morumbi.Das mãos de Luis Fabiano, centroavante são-paulino, Albertina recebeu a camisa 9 inspirada na que era utilizada pelo “Diamante Negro”, e uma bandeja de prata comemorativa ao centenário de Leônidas, entregue pelo capitão Rogério Ceni. Falecido em 2004, Leônidas da Silva completaria 100 nesta sexta-feira (6).
Time do São Paulo FC: Campeão Paulista de 1949
Antes de Pelé: O Melhor do Brasil
Maior jogador do Brasil até o surgimento de Pelé, Leônidas da Silva – O Diamante Negro – era um atleta veloz, extremamente técnico e que possuía ótima impulsão e elasticidade, característica que lhe rendeu o seu segundo apelido mais famoso: Homem Borracha (ambos os apelidos criados pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, durante a Copa do Mundo de 1938).
Tradicionalmente considerado pelos cronistas nacionais como o inventor da bicicleta – o fato é controverso, pois teria realizado o movimento pela primeira vez em 1932. Se não inventou, certamente imortalizou e consagrou a jogada -, Leônidas da Silva jogou futebol de 1930 a 1950, passando por São Cristóvão, Sírio Libanês, Sul América, Bonsucesso, todos do Rio de Janeiro, Peñarol (Uruguai), Vasco da Gama, SC Brasil, também carioca, Botafogo, Flamengo e, por fim, São Paulo, onde se tornou ídolo maior.
Defendeu a Seleção Brasileira com extremo sucesso entre 1932 e 1946, pela qual disputou duas Copas do Mundo, sendo inclusive artilheiro de uma delas, em 1938, com sete gols. Poderia ter disputado outras duas Copas, mas a 2ª Guerra Mundial impediu a realização das edições de 1942 e 1946.
Foi contratado pelo São Paulo junto ao Flamengo, em 1942, na transação mais cara da história do futebol sul-americano até então, no valor de 200 contos de réis (em valores convertidos e corrigidos, aproximadamente 195 mil reais). Por causa de sua idade e tempo sem jogar, os rivais falavam que, na verdade, o Tricolor tinha comprado um bonde por 200 contos.
Leônidas foi anunciado como contratado pelo São Paulo em 1 de abril de 1942. Dia da mentira. Claro que muita gente não acreditou, achando que o fato era brincadeira. Mas na realidade, poucos dias depois, 10 de abril, o craque foi recebido na Estação do Norte (Roosevelt), no Brás, por uma multidão de 10 mil pessoas que o conduziu nos ombros até a sede do clube, na R. Dom José de Barros, no centro.
Até mesmo um ditado popular surgiu por causa dessa passeata: Uma senhora idosa, alheia aos acontecimentos, teria questionado com surpresa: “Que acontece? Por que todo esse movimento? Mas será o Benedito”?! (São Benedito).
O craque estava há mais de um ano sem disputar partida oficial, e a estreia no Tricolor ainda tardou um pouco. Leônidas passou por um árduo período de regime e treinamento condicionado. A tão esperada estreia se deu em 24 de maio de 1942, em um empate em 3 x 3 contra o Corinthians, que resultou em recorde de público do estádio até hoje (70.281 pagantes).
Leônidas não teria jogado tão bem – Em verdade até participou de jogadas de gols -, mas  a imprensa e os adversários zombaram do craque com uma piada de que o marcador do craque no jogo, Brandão, teria sido preso pela polícia por ter saído de campo com um diamante no bolso. Leônidas revelou posteriormente que, tão enervado que ficou, prometeu nunca mais jogar “mal” contra eles, e assim fez. Foram 10 vitórias contra cinco derrotas e 11 gols marcados em 19 jogos contra o Corinthians.
O sinal de que a vinda de Leônidas foi abençoada e que sua passagem pelo Tricolor daria certo veio na terceira partida do centroavante pelo clube. Contra o Palestra (14/06), Leônidas marcou o único gol do São Paulo na partida de maneira espetacular e tão particular, marca registrada do jogador – um gol de bicicleta -, que levou o locutor Geraldo José de Almeida à loucura (arquivo de Luiz Ernesto Kawall, do Museu da Voz):
A contratação de Leônidas e a era de ouro por ele desencadeada podem ser consideradas um marco de consolidação do São Paulo como um clube verdadeiramente grande. Com Leônidas como estrela maior, a “moeda caiu em pé” e o time ganhou cinco campeonatos paulistas em sete anos (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949), sendo reconhecido aonde fosse com a alcunha de “Rolo Compressor”, definitivamente estabelecendo-se como potência do futebol nacional.
Leônidas ainda teve curta passagem como técnico de futebol do próprio São Paulo(foto- à direita) e da Confederação Brasileira de Desportos Universitários. A seguir, adentrou no jornalismo como comentarista esportivo, passando por TV Paulista, TV Record e Rádio Panamericana. Leônidas venceu sete prêmios Roquette Pinto como melhor profissional em sua especialidade. Em 1987, Leônidas foi condecorado com a comenda da Ordem Nacional do Rio Branco. O ídolo são-paulino nos deixou com eternas saudades em 24 de janeiro de 2004, quando faleceu, em Cotia (SP).
Leônidas da Silva
Centroavante
Jogos disputados pelo SPFC: 211 (137V, 36E, 38D)
Estreia: 24/05/1942 (São Paulo 3 x 3 Corinthians)
Último jogo: 03/12/1950 (Olímpia 1 x 2 São Paulo)
Gols Marcados no SPFC: 144 (8º maior artilheiro do clube)
Nascimento: 06/09/1913. Rio de Janeiro (RJ).
Falecimento: 24/01/2004. Cotia (SP).
Títulos conquistados no SPFC:
  • Campeonato Paulista de 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
  • Taça dos Campeões Estaduais Rio de Janeiro-São Paulo: 1943, 1946 e 1948.
  • Taça Cidade de São Paulo: 1944.
  • III Olímpíada Tricolor: 1944.
  • Taça Coletividade Brasileira, Paraguai: 1945.
  • Taça Cia. Internacional de Capitalização: 1946.
  • Taça Argemiro Ribeiro de Oliveira, Barretos: 1946.
  • Taça Cid de Mattos Vianna, Minas Gerais: 1946.
  • Taça Amizade, Rio de Janeiro: 1946.
  • Taça Governador Octávio Mangabeira, Bahia: 1947.
  • Taça Castelões, Ribeirão Preto: 1947.
  • Taça Dr. José Ribeiro Fortez, São Joaquim da Barra: 1948.
  • Troféu Casanova, Barretos: 1948.
  • Taça Corante Wilson, Paraná: 1949.
  • Pentagonal Rio-São Paulo – Taça R. Monteiro: 1949.
  • Taça Presidente Cícero Pompeu de Toledo, Bauru: 1949.
  • Troféu Filhos de Araçatuba, Araçatuba: 1949.
Seleção Brasileira
  • 38 jogos / 39 gols
  • Artilheiro da Copa do Mundo de 1938 com 7 gols
  • Campeão da Copa Roca de 1945
  • Campeão da Copa Rio Branco de 1932
Outros
  • Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais de 1931 (RJ) e 1942 (SP)
  • Campeão Carioca de 1934, 1935 e 1939
Citações
Alfredo Foni, zagueiro da Seleção Italiana campeã mundial em 1938
Foi como um presente dos céus saber que Leônidas não jogaria. Verdadeiro artista, malabarista da bola, era o jogador que surpreendia a todos“.
Eduardo Galeano, escritor e jornalista
Tinha o tamanho, a velocidade e a malícia de um mosquito“.
Armando Nogueira, escritor e jornalista
A bola era a lua cheia de graça de Leônidas da Silva“.
Mário Filho, escritor e jornalista
Leônidas não explicava nada. Quando a gente estava arregalando os olhos para ver se via, a mágia já estava feita“.
Nelson Rodrigues, escritor e jornalista
Um jogador rigorosamente brasileiro, brasileiro da cabeça aos sapatos. Tinha a fantasia, a improvisação, a molecagem, a sensualidade do nosso craque típico“.
Jose Poy, ex-jogador e técnico
Entre Pelé e Leônidas existe uma diferença, a mídia eletrônica“.
Agnelo de Lorenzo, antigo funcionário e 1º historiador do São Paulo
Leônidas era um senhor jogador, resolvia sozinho. Tanto que ele ia embora pra casa e os marcadores iam atrás dele, 4 ou 5, de tão atormentados“.
Dona Catharina, cozinheira do São Paulo nos anos 40
Leônidas era uma maravilha! Ele comia lá em casa também, junto com outros jogadores. Mas ele queria comer sozinho, ele comia na cozinha mesmo“.
Caxambu, ex-goleiro do São Paulo sobre uma vez que enfrentou Leônidas:
No último minuto de jogo teve uma penalidade que o Leônidas bateu e eu defendi. Até hoje ele não gosta que eu fale nisso, porque ele fez três gols em mim, na verdade, mas esse pênalti que eu defendi foi meu maior galardão“.



BOTAFOGO HOMENAGEIA
Hoje seria o aniversário de 100 anos de Leônidas da Silva, craque da Seleção Brasileira, inventor da bicicleta e tetracampeão carioca pelo BOTAFOGO! Cada CURTIDA é uma reverência a ele!
Página do Fogão no Facebook:




FLAMENGO REVERENCIA

O Flamengo  homenageou Leônidas da Silva, um de seus maiores ídolos, na partida em que venceu o Vitória(BA) por 2 x 1 na quarta-feira, no Maracanã, . Se estivesse vivo, o Diamante Negro completaria 100 anos nesta sexta-feira. O time entrou em campo com a hashtag #Leonidas100 às costas.Leônidas é o maior artilheiro do Flamengo em média de gols: 1,02 por jogo (151 marcados em 148 partidas). É também o oitavo maior goleador da história do clube. Inventor da bicicleta, Leônidas também vestiu as camisas de Bonsucesso, Peñarol, Vasco, Botafogo, São Paulo e seleção brasileira, mas foi ídolo mesmo das torcidas rubro-negra e são-paulina.

Leônidas da Silva: homem pioneiro

Gênio dentro das quatro linhas, ídolo rubro-negro também é famoso por sua importância fora de campo

Leônidas iniciou o marketing no futebol brasileiroLeônidas iniciou o marketing no futebol brasileiro
Se estivesse vivo, Leônidas da Silva (1913-2004) completaria, hoje (06.09), 100 anos de vida. Dentro de campo, fica a lembrança de um super craque, que encantou o mundo principalmente por suas atuações pela Seleção Brasileira e pelo Flamengo, clube pelo qual jogou de 1936 a 1941. Já fora do gramado, ele ficou marcado pelo pioneirismo.

Leônidas foi o primeiro atleta da história do futebol brasileiro a usar o marketing e a imprensa para se popularizar. Melhor exemplo disso foi sua atuação como garoto-propaganda do chocolate Diamante Negro, nos últimos anos da década de 1930. A Lacta criou esse produto para homenagear o craque, que já tinha o apelido que deu nome ao chocolate, e usar sua fama como meio de alavancar as vendas. O gênio também fez propaganda para relógios e cigarros, e foi o primeiro ex-jogador a tornar-se comentarista esportivo de rádio no país.

O craque foi o primeiro também a aproveitar a condição de famoso jogador (negro) de futebol para conquistar as “moças de boa família”. Desde a chegada do esporte bretão ao Brasil, na primeira década do século XX, até os Anos 30, os negros eram proibidos de jogar nos grandes clubes e era inadmissível que namorassem as mulheres das famílias mais tradicionais e importantes, mas sendo o Leônidas…os pais até que gostavam, dizia Mário Filho, ícone do jornalismo esportivo. Em terras tupiniquins, foi o primeiro jogador a romper essa barreira.

Em 1938, na França, o Diamante Negro tornou-se o primeiro jogador a fazer um gol de bicicleta em uma Copa do Mundo. A nota triste é que o lance foi anulado, pois o juiz desconhecia o movimento e o considerou ilegal. Apesar disso, o nome do craque segue até hoje ligado à bicicleta. Muitos o consideram o inventor dessa jogada, mas o próprio Leônidas admitia que só havia popularizado o lance acrobático, que já era praticado nas ruas.

Brilho pela Seleção Brasileira

Disputou duas Copas do Mundo: 1934, quando fez o único gol brasileiro na competição (na derrota por 1 a 3 para a Espanha), e 1938, na França, quando foi o principal artilheiro, com sete gols em quatro jogos, e eleito pela imprensa europeia como o melhor jogador daquele Mundial. Naquele ano, Leônidas era jogador do Mais Querido. Só não jogou as Copas de 1942 e 1946, porque não aconteceram, devido à Segunda Guerra Mundial.

No quesito média de gols por partida, Leônidas da Silva é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Em 37 jogos, ele marcou 37 gols. Nem mesmo Pelé, com média de 0,77 gol por confronto, superou o ídolo rubro-negro.



Copa do Mundo da FIFA França 1938 – Primeira rodada

Brasil goleou Polônia por 6 x 5: Leônidas assinalou três gols

Pode uma partida de primeira fase ser um dos momentos mais marcantes da história do futebol de um país? E, mais precisamente, na história do país que mais venceu títulos da Copa do Mundo da FIFA até hoje?    Pois pode, sim. Porque, afinal, toda lenda tem que começar de algum lugar. No caso da Seleção Brasileira – e de sua mística de ser admirada como representante daquilo que o futebol tem de mais vistoso –, em lugar e data marcados: Estrasburgo, França, 5 de junho de 1938.

Apesar de já ter participado das duas primeiras Copas do Mundo da FIFA, foi na partida de estreia da terceira edição que a Seleção deu seu primeiro passo para se tornar tudo aquilo que simboliza hoje. Foi naquele 6 x 5 sobre aPolônia que os brasileiros pareceram ser, pela primeira de incontáveis vezes, um grupo mais talentoso e propenso a dar espetáculo do que a maioria de seus rivais.

O contexto
Não é que aquela fosse a primeira geração de talentos do futebol brasileiro, que o diga o mítico Arthur Friedenreich, herói do titulo sul-americano de 1919, o primeiro da história do país. Acontece que nos Mundiais de 1930 e 34 a escolha do elenco brasileiro foi permeada por uma disputa política entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os dois principais pólos do esporte no país. Os resultados foram muita desorganização e equipes bem inferiores àquilo que já havia de potencial no Brasil.

Ademar Pimenta foi o primeiro treinador que pôde de fato reunir uma seleção nacional, ou seja, simplesmente escolher os jogadores que considerava os melhores do país, levá-los para um período de treinamento e formar um time. Aliás, no caso dele, dois times. Diante do desafio de enfrentar diferentes escolas de futebol na Copa do Mundo, Pimenta decidiu formar duas equipes: a “azul”, de jogadores mais fortes e pesados, e a “branca”, mais leve e habilidosa. A ideia era que, de acordo com o adversário, se utilizassem 11 jogadores completamente diferentes.

Brasil não tinha exatamente uma equipe titular, mas já tinha, sim, um grande ídolo: Leônidas da Silva, aquele que se tornaria o primeiro de tantos brasileiros a chamar atenção numa Copa do Mundo. Entre tanta gente que brilhava em seus clubes e atraía multidões aos estádios, ninguém se comparava ao “Diamante Negro”.

Some-se isso tudo ao fato de que, naquele ano de 1938, o rádio vivia seu auge de popularidade e influência na sociedade brasileira. E a estreia diante dos poloneses – uma equipe forte, que vinha de terminar em quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, depois de bater Hungria e Grã-Bretanha – foi justamente a primeira partida de Copa transmitida para o país. Quer dizer: era o cenário ideal para que o futebol brilhasse e se tornasse um elemento fundamental da identidade nacional dos brasileiros. E para que o mundo, dali em diante, tivesse um novo nome para citar na hora de listar os favoritos em qualquer Mundial.

O jogo
Mesmo sem toda a relevância histórica que adquiriu, aquele jogo no estádio Meinau, por si só, já merecia seu lugar de destaque na galeria das grandes partidas das Copas. A primeira grande atuação da Seleção num Mundial teve uma enxurrada de gols e emoções. Isso além de uma enxurrada de fato, que encharcou o gramado em Estrasburgo e fez do marrom da lama a cor onipresente nos dois uniformes.

Aos 18 minutos, a escalação “azul” de Ademar Pimenta deu resultado com Leônidas, mas, apenas cinco minutos depois, o goleiro Batatais precisou derrubar Ernest Wilimowski na área. O gol de pênalti de Fryedryk Szerfke, o primeiro da Polônia numa Copa do Mundo, deixou tudo igual. Ainda no primeiro tempo, Romeu e Perácio colocaram os brasileiros na frente por 3 a 1.

Até então, nem uma virgula da história do futebol fora mudada. Eram 45 minutos como outros quaisquer; um jogo como outro qualquer. Uma boa atuação dos brasileiros e só. A parte épica do roteiro só começou a se desenrolar no segundo tempo, depois que a chuva desabou.

Começou com Wilimowski querendo deixar claro que aquela, também para ele, era uma tarde especial. O polonês marcou dois golaços para empatar o jogo em 3 a 3, aos 14 da segunda parte. O botafoguense Perácio marcou aos 26 seu segundo gol no jogo e aquele que parecia ser o da vitória brasileira. Mas ainda havia muito a acontecer.

Wilimowski marcou seu terceiro gol na partida a um minuto do final do tempo regulamentar e mandou o jogo para a prorrogação. E então, sim, é que os livros de história começaram a ser escritos. No duelo entre os artilheiros que brilhavam naqueles dois grandes times, Leônidas da Silva resolveu tomar as rédeas. Logo aos três minutos do tempo extra, o flamenguista colocou o Brasil mais uma vez na frente. Reza a lenda que esse gol teria sido marcado com um pé descalço: o atacante brasileiro teria perdido uma de suas chuteiras, e o árbitro sueco Ivan Eklind nem teria percebido – de tão amarronzados de barro que estavam os meiões de Leônidas.

O fato é que, em todo caso, Leônidas marcou mais um aos 14 e deixou a vantagem em 6 a 4. Como se não fosse o suficiente, Wilimowski ainda deixaria sua quarta bola nas redes brasileiras a dois minutos do fim e Erwin Nyc, no finalzinho, acertou o travessão, no chute que poderia ter forçado a disputa de uma repetição para decidir quem passaria às quartas-de-final. Pela qualidade, bem que aquele jogo merecia acontecer de novo. Mas o 6 a 5 final serviu de excelente introdução àquilo de que era capaz o time que, com o tempo, passaria a ser conhecido simplesmente como “A Seleção”.

Fontes: CBF – São Paulo FC 
Botafogo FR – CR Flamengo – FIFA.com
Edição: Ramon Paixão
editor chefe do Jornal Escanteio

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