SÉRIE D: Procurador do STJD vai pedir anulação da partida que teve massagista “zagueiro”

Massagista “zagueiro” Esquerdinha: “É tudo ou nada. Eu estaria perdendomeu emprego” 

No sábado(07/09), a Aparecidense se classificou para às quartas de finais do Campeonato Brasileiro da Série D, graças a uma jogada polêmica, que renderá ainda muita discussão. Durante a partida, o Tupi ficou muito perto de marcar o gol, que garantiria sua classificação para a próxima fase, porém, isso só não aconteceu por causa do massagista do time adversário, que tirou a bola, em duas oportunidades, em cima da linha.

O lance irritou o Tupi. O clube mineiro pede que a partida seja anulada e o Aparecidense punido. Por sua vez, o procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) garantiu tomar providências e solicitará a anulação do embate.

“A gente espera (que o confronto seja anulado). Há uma possibilidade muito grande de anulação da partida. Em um passado longínquo não havia essa condição de se punir o time. Antigamente ficava isso por isso mesmo, bola ao chão, e não tinha a consequência técnica de se reparar o prejuízo enorme. Fica claro e evidente que o resultado foi prejudicado”, disse Paulo Schimidt, em entrevista ao canal SporTV neste domingo.

O procurador está com a Seleção Brasileira em Boston, onde o Brasil enfrentará Portugal am amistoso. Paulo Schmidt afirmou que o caso será estudado durante esta semana e que uma decisão deverá acontecer em breve.  Com a ajuda do massagista, a Aparecidense garantiu a classificação para a próxima fase da Série D, por conta dos gols marcados fora de casa. Pela partida de ida, o clube goiano empatou em 1 a 1. No embate de volta, o resultado foi 2 a 2.

O diretor de futebol da Aparecidense, João Rodrigues, o Cocá, não quis falar muito sobre o assunto, mas lamentou a atitude do funcionário do clube, mas garantiu que dará todo o respaldo jurídico necessário para o massagista.

Logo após o jogo, a revolta era tanto em Juiz de Fora, que a delegação do Aparecidense, que passaria a noite em Juiz de Fora, foi aconselhado pela polícia a deixar a cidade, com isto, depois do estádio, a delegação foi para o Rio de Janeiro, onde passou a noite, viajando neste domingo para o Estado de Goiás.

Massagista pede desculpas
Protagonista de um dos lances mais polêmicos da temporada no futebol brasileiro, Romildo Fonseca da Silva, o Esquerdinha, já está de volta a Aparecida de Goiânia-GO um dia após entrar em campo para evitar o terceiro gol do Tupi-MG que eliminaria a Aparecidense da Série D do Campeonato Brasileiro. Tratado como herói na cidade, o massagista pediu desculpas ao adversário, mas em seguida defendeu que o resultado da partida – 2 a 2 – não sofra alterações.

Esquerdinha evitou o gol aos 44 minutos do segundo tempo e entrou correndo no vestiário para não ser agredido. Após muita confusão, a partida foi retomada, mas o árbitro baiano Arilson Bispo da Anunciação manteve o placar de 2 a 2, resultou que garantiu classificação da Aparecidense e gerou revolta de jogadores, diretoria e torcida do Tupi-MG, que precisava da vitória para seguir vivo na competição. De volta a Goiás, Esquerdinha explicou a atitude e se desculpou.

– Foi um impulso. Quando vi o cara chutando para o gol, falei: Nossa, essa bola vai entrar. Foi uma emoção, um impulso forte. Falei: Vou tirar esse gol. Foi um ato impensado. Não dá tempo de pensar, de planejar um ato desse. Peço desculpas a todo elenco do Tupi – declarou.

Procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schimitt acredita que o jogo poderá ser anulado.

– A procuradoria deve oferecer denúncia contra o massagista e contra a equipe. Há a possibilidade do enquadramento no artigo 243-A, que fala em atuar em forma contrária à ética. Há a possibilidade dessa partida ser anulada

Esquerdinha havia acabado de deixar o gramado após atender o zagueiro Helder. O massagista revela que estava ciente de que o jogo estava para terminar e, caso sofresse o gol, a Aparecidense seria eliminada da Série D.

– Resolvi ficar atrás do gol porque tinha perguntado para o preparador físico quanto tempo faltava e ele disse que já estava com 44 minutos do segundo tempo. Vi quando o cara chutou a bola. Aí falei assim: É tudo ou nada. Eu estaria perdendo o meu emprego, né? Acabaria o campeonato, seria eliminado. Só iríamos voltar a treinar em dezembro.

Irmão de jogador

Romildo Fonseca da Silva não tem Esquerdinha como apelido à toa. O massagista é irmão de Rogério Fonseca da Silva, também chamado de Esquerdinha quando foi jogador. Esquerdinha, o meia, ficou conhecido no São Caetano, quando foi vice-campeão da Série A pelo Azulão em 2000 e 2001.

Romildo acabou não trilhando os passos do irmão, apesar de também ter tentado jogar futebol e praticar outros esportes. Contudo, afirma estar vivendo situação, ao menos junto aos torcedores da Aparecidense, muito próxima a de um ídolo, já que “salvou” o clube.

– Estão me tratando como herói, um 12º jogador que apareceu do nada e salvou o time no último minuto.

Por outro lado, relata que viveu momentos de medo ainda no estádio municipal de Juiz de Fora. A princípio, a delegação da Aparecidense teve que ficar trancada no vestiário por várias horas por conta de ameaças da torcida do Tupi. Para deixar a cidade, foi preciso se disfarçar.

– Foi difícil sair do estádio. Demoramos algumas horas para sair. A polícia fez escolta até o hotel e saimos de lá as 6h para a rodovia para ir para o Rio de Janeiro pegar o avião. Tive que colocar um boné, mudar a camisa, saí disfarçado. A torcida falava que ia me matar, estavam muito nervosos e com razão. Foi difícil para conseguir sair de lá – declarou o massagista, que, na volta a Aparecida, fez a reconstituição do lance.

No campo da Aparecidense, Esquerdinha imita como evitou o gol do Tupi (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Arrependimento?

De cabeça fria, Esquerdinha hesita ao responder se faria tudo novamente. O massagista reconhece o erro e garante ter pedido desculpas. No entanto, acredita que a Aparecidense não deve ser punida pelo episódio, já que a decisão de entrar em campo e evitar o terceiro gol do Tupi-MG partiu exclusivamente dele.

– Eu já pedi desculpas. Foi um ato impensado. Ninguém mandou eu fazer isso. Ninguém da comissão técnica ou da diretoria. Foi uma coisa de momento. Um impulso forte que acabei fazendo aquilo. Parece que na regra está que sou uma pessoa neutra, que não participa do jogo. Creio que não tem como desclassificar a Aparecidense.

Fontes: Agência Futebol Interior 
Jornal Online Cadê News
Edição: Ramon Paixão 

editor chefe do Jornal Escanteio

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