Poliana Okimoto é eleita melhor nadadora de águas abertas de 2013


A brasileira Poliana Okimoto certamente vai guardar o ano de 2013 na memória.

Poliana Okimoto exibe as medalhas do Mundial (Foto: Renato Cordeiro/ LANCE!Press)

    A nadadora brasileira  Poliana Okimoto foi eleita pela revista americana Swimming World a melhor atleta das competições em águas abertas no mundo.

 Depois de conseguir três medalhas nas maratonas aquáticas no Mundial de Barcelona, na Espanha, o prêmio encerra a temporada como reconhecimento: trata-se da primeira não-europeia a ser escolhida pela publicação.

Uma das mais tradicionais do mundo, a revista Swimming World elege os destaques da temporada desde 1964. Na categoria águas abertas, a premiação é bem mais recente: começou em 2005.

 Desde então, apenas atletas europeias foram apontadas pela publicação – destaque para a russa Larisa Ilchenko, escolhida em 2006, 2007 e 2008.

Poliana quebra a tradição depois de uma temporada extremamente vitoriosa: sagrou-se campeã mundial da maratona aquática de 10 km, além de ficar com a prata na prova de 5 km e bronze na disputa por equipes.

Também foi campeã em duas etapas da Copa do Mundo (China e Hong Kong) e quebrou o recorde sul-americano dos 1.500 m em piscinas, no Campeonato Brasileiro.

“Eu sempre trabalhei duro e lutei para conquistar o meu espaço na natação. Quem me conhece sabe que batalhei demais para chegar onde estou e espero evoluir muito ainda. Estar entre as melhores do mundo me enche de orgulho e me motiva para seguir trabalhando com muita seriedade”, comemorou a brasileira, que ainda foi indicada pela Federação Internacional de Esportes Aquáticos (Fina) ao prêmio de melhores do ano.

“Fico muito feliz porque dediquei toda a minha vida para a natação e sei o quanto é duro.
 Esse título é muito gratificante porque é a prova de que o trabalho está sendo valorizado por pessoas extremamente competentes”, disse a atleta, que em 2013 ainda encara duas provas: O Rei e Rainha do Mar, que será realizado nos dias 14 e 15 de dezembro, no Rio de Janeiro, e o Torneio Open, em Porto Alegre, entre os dias 18 e 21 do mesmo mês.
fonte:JBLance!net

ÁGUAS ABERTAS – INDICADA A MELHOR DO ANO, POLIANA PEDE ´MAIS ESPAÇO´ E RECONHECIMENTO
RIO DE JANEIRO
Lydia Gismondi

Há quem diga que o número 13 traz azar. Mas assim como Zagallo, um dos ícones do futebol brasileiro, Poliana Okimoto não tem muito do que reclamar dele. Todas as conquistas alcançadas este ano, depois de um 2012 marcado pela frustante participação nos Jogos Olímpicos de Londres, não deixam dúvidas. Foram três medalhas na maratona aquática no Mundial de Barcelona, sendo uma de cada cor. Nunca nenhum brasileiro esteve no pódio por três vezes em uma mesma edição da competição. Sem perder o fôlego, venceu também duas etapas do Circuito Mundial de águas abertas recentemente. Não bastassem os triunfos dentro do mar, a paulista adicionou na conta de 2013 façanhas importantes dentro da piscina. Em agosto, derrubou o recorde sul-americano dos 1.500m livre, que já durava 12 anos. Na segunda-feira, foi anunciada, ao lado da colega Ana Marcela Cunha, como uma das indicadas pela Federação Internacional de Natação (Fina) à disputa de melhor maratonista da temporada. A única frustração é saber que os resultados alcançados nos últimos tempos não têm proporcionado as consequências positivas que esperava.
– O esporte olímpico lá fora é muito valorizado. Aqui no Brasil, no entanto, algumas modalidades não têm o mesmo reconhecimento do que outras, como é o caso do futebol, por exemplo. Se eu fosse campeã mundial no futebol, talvez fosse diferente (risos). Mas entendo porque é a filosofia do povo brasileiro – afirmou Poliana.
Na entrevista a seguir, a maratonista comemora a volta por cima após Londres, mas lamenta a falta de reconhecimento de suas conquistas e mostra preocupação com a renovação e o futuro da modalidade. A campeã mundial dos 10km, que esta semana está participando de um intercâmbio em Roma, também comenta a expectativa de ser indicada para disputar a premiação de melhor atleta do país em 2013, oferecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro, e a intenção de voltar a dar mais atenção à piscina.

GLOBOESPORTE.COM: O ano de 2013 foi cheio de conquistas para você. O que significou ter tido um ano com tantas conquistas depois de um 2012 difícil, principalmente pela frustração de Londres?
Poliana: Realmente, 2013 foi a concretização de um sonho que vinha buscando há muitos anos. Da forma que aconteceu, foi ainda mais especial. Consegui três medalhas em uma única edição do Mundial, o que ninguém jamais havia conseguido. E o principal é que fui campeã na prova dos 10km, que é a prova olímpica. Foi muito gratificante. Além do Mundial, ainda realizei mais objetivos pessoais. O primeiro, que vinha lutando há muito tempo, era nas piscinas. Queria bater o recorde brasileiro dos 1.500 m livre, que já durava 12 anos. E consegui. O outro foi voltar a vencer etapas do Circuito Mundial. Venci as duas últimas realizadas na China e em Hong Kong.
As três medalhas no último Mundial mudaram alguma coisa na sua vida? Acredita que passou a ter mais reconhecimento e investimento a partir delas?
Para ser sincera, ainda não. Mas espero que isso mude com o tempo. Torço muito para que mude. Após as conquistas, poucas pessoas nos procuraram, o que me deixa um pouco chateada. A equipe brasileira ganhou cinco medalhas no Mundial de Barcelona, várias etapas do Circuito Mundial. O Brasil é o atual campeão mundial de maratonas aquáticas, o que é algo histórico, pois nunca havia acontecido. Vivemos um momento maravilhoso e deveríamos ter mais espaço.
Você foi muito assediada na etapa de Hong Kong do Circuito Mundial, principalmente pela imprensa. Acredita que lá fora o reconhecimento costuma ser maior do que aqui no Brasil?
O esporte olímpico lá fora é muito valorizado. Aqui no Brasil, no entanto, algumas modalidades não têm o mesmo reconhecimento do que outras, como é o caso do futebol, por exemplo. Se eu fosse campeã mundial no futebol, talvez fosse diferente (risos). Mas entendo porque é a filosofia do povo brasileiro. Mas, como disse, espero que isso mude com o tempo. Na minha opinião, nossos resultados nas maratonas já merecem uma atenção maior da imprensa. Somos os atuais campeões mundiais da modalidade e isso não é fácil. Afinal, em quantas modalidades olímpicas o Brasil é campeão mundial? Em muitos países, o Brasil é visto como a grande potência nas maratonas aquáticas.
Você acha que a oportunidade de massificar o esporte no país está sendo bem aproveitada? O que poderia ser feito para o crescimento da prática do esporte e, consequentemente, o surgimento de novos talentos?
Eu acho que só conseguiremos manter essa evolução se tivermos quantidade. É da quantidade que tiramos a qualidade. Quanto mais gente praticando o esporte, melhor para fazer a filtragem, a seleção. O cenário é o ideal para massificarmos o esporte. O Brasil acabou de voltar de um Mundial como o atual campeão do mundo, com cinco medalhas na bagagem. Falta um pouco mais de exposição na mídia e mais incentivo no trabalho de base.
O esporte está tendo uma boa renovação? Já temos atletas mais novos que estão se destacando?
Não. Eu não vou negar que fico muito preocupada com o futuro da modalidade. Hoje, ainda dependemos dos nadadores de “fundo” (distâncias longas) de piscinas que queiram migrar para as maratonas. E o grande problema é que, com o passar dos anos, menos atletas e menos clubes se interessam pelas provas de fundo. Não tenho certeza do real motivo, mas o que sei é que para competir nas maratonas e provas de fundo, o atleta precisa se dedicar ao máximo. É preciso treinar, treinar e treinar muito.
Esse ano você é uma das cotadas para a disputa do prêmio de melhor atleta do ano do COB. Depois de bater na trave em 2009, quais são suas expectativas dessa vez?
Bom, primeiro tenho que ser indicada, né (risos). A indicação será em novembro. O Prêmio Brasil Olímpico é a maior honraria que um atleta brasileiro pode receber. Significa imortalizar o nome em meio a tantos outros atletas consagrados no esporte nacional. Não vou negar que é um grande sonho, sim, mas prefiro esperar primeiro a indicação para depois pensar em ganhar.
Você também está concorrendo ao prêmio de melhor maratonista pela Federação Internacional de Natação. Como se sente com essa indicação?
É um prêmio fantástico, o mais importante da natação mundial e seria uma honra ser premiada. Ser eleita a melhor do mundo, na minha modalidade, seria fechar o ano perfeito com chave de ouro. É a primeira vez que sou indicada e a sensação é de reconhecimento por uma vida inteira dedicada à natação, ao esporte. Somente pelo fato de estar na lista das melhores nadadoras do mundo já é algo fantástico, um reconhecimento por todos esses anos de trabalho duro. Estou muito feliz.
Quais são os seus planos para 2014? Quais são seus principais objetivos e planejamento de treinamento?
Ainda estamos focando em 2013, porque temos mais duas competições neste ano. Não temos oficialmente o calendário de 2014, por isso ainda não nos programamos. Mas meu objetivo é permanecer entre as melhores do mundo nas maratonas e, como não há Campeonato Mundial no ano que vem, quero voltar a dar uma atenção maior para as provas de piscina, que, desde que comecei a nadar maratonas, deixou de ser minha prioridade. Em relação aos treinamentos, permanecerei em São Paulo e faremos alguns trabalhos especiais em altitudes pontuais.
Fisicamente como você sente agora? Em Barcelona, você contou sobre a dieta sem glúten. Você segue firme nessa dieta? Está comendo muita tapioca?
Gosto de tapioca, mas não vou negar que estou enjoando de tanta tapioca! De vez em quando, tento dar umas escapadinhas, mas minha nutricionista, Marcella Amar, é muito brava (risos) e me cobra bastante. Mas realmente foi algo que me ajudou muito, não só para o esporte, mas também na minha vida pessoal, na qualidade de vida.

Fonte: Globo Esportes
Autor: Swim It Up! Clipping

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