A Lei do Ex e o Carnaval de Rivellino


A Lei do Ex e o Carnaval de Rivellino

Aos 30 anos, Rivellino desembarcava nas Laranjeiras (Crédito Site Rivellino Sport Center)
Aos 30 anos, Rivellino desembarcava nas Laranjeiras (Crédito Site Rivellino Sport Center)

A maior festa popular brasileira passou, mas uma história novamente foi rememorada pelos torcedores do Fluminense. Foi num sábado de Carnaval, em 1975, que Rivellino estreava pelo tricolor carioca. No ano anterior, uma doída derrota para o Palmeiras na final do Campeonato Paulista colocou Riva sob pressão no Parque São Jorge. Injustamente, foi apontado pela imprensa e por parte da torcida como responsável por mais um ano de fracassos e jejum de títulos.

Assim, aos 30 anos, foi vendido por 3 milhões de cruzeiros ao Fluminense. Era o inicio da formação de um dos times mais reverenciados na história do clube. E a estreia trouxe uma das maiores ironias da história do futebol brasileiro: uma partida contra o próprio Corinthians. Mais de 40 mil pessoas interromperam os festejos para ir ao Maracanã ver de perto o novo camisa 10.

E ele não decepcionou. Rivellino marcou três gols na goleada por 4 a 1 – um de rebote, um de cabeça e outro belíssimo por cobertura. Não é exagero dizer que fez até chover naquela tarde de tempo encoberto. Naquele mesmo ano e em 1976, conquistaria o Campeonato Carioca, encerrando de vez as dúvidas sobre o seu potencial fora da Seleção Brasileira.

O episódio escancara todo o romantismo que cercava o futebol. A imprensa alimentou ainda mais a rivalidade, dando destaque às declarações de Riva, que afirmava se sentir mais à vontade como ponta-de-lança (no Corinthians, atuava mais no meio-de-campo). Hoje, situações como essas são cada vez mais difíceis, já que muitas vezes os clubes rivais colocam uma cláusula contratual que impede o jogador de enfrentar o ex-clube, ou só permitem mediante o pagamento de uma multa.

Tudo para evitar a famosa “Lei do Ex”, em que o meia habilidoso ou aquele atacante grosso de outrora vai marcar um gol importante contra o seu time mais pra frente. Mas, naquele sábado, não houve barreiras. Entrou em campo um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. O titular da Copa de 70, a “Patada Atômica”, o gênio da canhota. E Rivellino comemorou todos os gols como se deve: correndo e vibrando em direção à sua nova plateia, sem que isso representasse qualquer desrespeito ao time paulista. Momentos como esse que, na lembrança do torcedor, transformam um simples amistoso no maior espetáculo da Terra.

O futebol, assim como o Carnaval, é feito do sorriso de quem desfila por ruas, avenidas e gramados molhados.
fonte:Link to Esporte Fino

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