Braços cruzados, chuteiras penduradas. É assim que se negocia com dirigentes que se recusam a abandonar o coronelismo.


Braços cruzados, chuteiras penduradas. É assim que se negocia com dirigentes que se recusam a abandonar o coronelismo.

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Braços cruzados e chuteiras penduradas. Por que não? (Crédito: Facebook Bom Senso F.C.)

                                               Não há mais espaço para cautela.

 O movimento Bom Senso F.C. já conta com mais de mil jogadores e apoio entre os torcedores.

 Os protestos simbólicos nas últimas rodadas já não terão mais impacto se não for dado o passo seguinte: a greve.

A gota d´água foi o bate-boca que Paulo André, líder do Bom Senso, travou com Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco, durante evento da Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol.

 Eurico chamou o movimento de elitista e ignorou que a agenda de reinvindicações inclui justamente o aumento de jogos para times pequenos e teto salarial para os grandes clubes.

A CBF dá sinais claros de que deseja “cozinhar” o debate. O presidente José Maria Marin reiterou que a negociação depende também da Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos principais campeonatos.

 O vice Marco Polo Del Nero transferiu a responsabilidade para os próprios atletas, aconselhando-os que pleiteiem com os clubes um revezamento no elenco para diminuir o desgaste.

O próximo passo deve ser calculado. Uma interrupção na última rodada pode ser o subterfúgio que os clubes em risco podem articular com a CBF para uma “virada de mesa”.

 Ainda mais que dois clubes do Rio de Janeiro estão muito próximos da segunda divisão.

 Para evitar esse retrocesso, após o apito final da 38ª rodada do Brasileirão, o movimento deveria anunciar que os jogadores não disputarão os estaduais enquanto as pautas não forem discutidas, já com um cronograma futuro acertado entre as partes.

 O próprio movimento já assume publicamente que as mudanças seriam efetivadas para 2015, após a ressaca da Copa do Mundo.

Adia-se a greve, mas não a decisão.

 O Bom Senso precisa endurecer o discurso, para não se tornar uma confraria. Não seria o primeiro país a adotar a paralisação, mas seria a primeira vez que o futebol brasileiro não aceitaria as exigências comerciais pré-estabelecidas em detrimento dos ideais do profissionalismo no esporte.

Braços cruzados, chuteiras penduradas. É assim que se negocia com dirigentes que se recusam a abandonar o coronelismo.
fonte:EsporteFino

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