É possível treinar com os gringos sem sair do Brasil

Não que essa seja uma baita novidade no mundo dos esportes aquáticos, mas a ideia ganhar força – e realmente se concretizar – no Brasil, é, sim, algo novo e importante.
O técnico Albertinho Silva orienta o britânico Michael Jamieson (Foto: Flávio Perez)
O técnico Albertinho Silva orienta o britânico Michael Jamieson (Foto: Flávio Perez)

 Se por muito tempo os nadadores brasileiros precisaram procurar no exterior um contato com seus rivais nas principais competições, com os Jogos do Rio em 2016 a coisa ficou muito mais fácil: todos querem conhecer o país que vai receber os dois principais eventos esportivos do mundo nos próximos dois anos e meio.

Albertinho Silva, ex-treinador de Cesar Cielo, e que comandou o PRO-16, segue hoje na borda da piscina durante os treinos de Thiago Pereira e de outros atletas de ponta, como o medalhista mundial Nicholas Santos, além de Thales Cerdeira e Henrique Barbosa.

 Um pequeno grupo de elite, nos moldes do projeto anterior, que era comandado por Cielo, mas ainda sem a pretensão de ter um nome, mesmo que isso não seja a mais inteligente estratégia comercial.

A ciumeira dos clubes é grande. Já na época em que foi idealizado, o PRO-16 gerou encrenca. Era algo inédito, que pela primeira vez uniu Thiago Pereira e Cesar Cielo, com uma grande staff de profissionais bastante específicos para o esporte.

 Mas para quem paga os salários, a impressão foi ruim, como se o atleta não tivesse a estrutura necessária dentro do clube. 

Por isso a cautela de hoje.

A temporada de 2013 já foi marcada pela dificuldade desses atletas em conseguirem contratos. Thiago acabou indo para o Sesi, onde não tem compromisso diário de dar as caras nas piscinas do local. O mesmo para Nicholas e Tales no Unisanta, ou Henrique no Fluminense.

Medalhista em Londres, além de dois bronzes no Mundial do ano passado, Thiago está trabalhando com Albertinho desde 2011, com quem conseguiu os melhores resultados da carreira. E com muita justiça ele se incomoda com o pensamento dos clubes e dos próprios atletas.

“A gente tem que parar com essa coisa que tem no Brasil, de se reclamar de atletas saírem, irem para fora. Daqui a dois anos e meio não tem essa, nós somos um só: o Brasil. Temos que ser maior do que essas  coisas cotidianas.

 Temos que parar com esse pensamento pequeno. Podíamos estar fazendo mais isso por aqui, trazendo estrangeiros.

Já perguntaram para os atletas o que eles querem? Nós queremos esse intercâmbio, sim. As instituições, os técnicos em geral, precisam parar com essa ciumeira de que ‘é meu atleta’. O que tem uma semaninha de treinos diferente? Não é o que vai prejudicar. Muito pelo contrário.”

O britânico Michael Jamieson foi o primeiro a se aventurar nas piscinas brasileiras. Ele levou a prata nos 200m peito em Londres, e, pela amizade que havia consolidado com Henrique Barbosa, aceitou o convite para treinar por 15 dias em São Paulo, com o brasileiro que disputa a mesma prova. Mesma prova, aliás, na qual nada Tales, em um dos quatro estilos de Thiago Pereira.

O balanço das duas semanas foi altamente positivo por todos os lados. O gringo escocês adorou (e, inevitavelmente, não conseguiu deixar de falar do calor brasileiro…), embora salientando que não está nada barato vir nadar no Brasil, algo que todos os seus colegas pretendem conseguir fazer até 2016, mas que ainda não conseguiram. Natação está longe de ser uma profissão bem remunerada.

O próximo a cair na água no esquema training camp para ser comandado por Albertinho é o tunisiano Oussama Mellouli, campeão olímpico dos 1500m livre em Pequim. 

Isso sem falar em alguns nomes que estão em contato com o treinador da seleção brasileira para conhecer a cara do Brasil e para programar as suas bases de treino para 2016: Chad Le Clos, o sul-africano que derrotou Michael Phelps em Londres, o trio de velocidade francês, com Fred Bousquets, Camille Lacourt e Florent Manoudou, além do rival húngaro de Thiago Pereira, Laszlo Cseh, entre muitos outros.

A delegação brasileira de natação embarca com 30 atletas para o Billiton Aquatic Super Series, torneio amistoso que acontece no final deste mês na Austrália, o primeiro da temporada 2014. A “bronca” dos brasileiros é a mesma de sempre: só conseguem estar cara a cara, em alto nível, contra seus rivais, quando vão competir no exterior.

“Hoje nós vamos para vários lugares competir. Mas, se organizássemos um torneio semelhante aqui no Brasil, será que toda essa galera não iria vir?”, disse Thiago. Boa pergunta, dona CBDA.
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