Papa pede respeito pelos «direitos fundamentais» das pessoas e das famílias

Francisco evoca situações de pobreza e dificuldade em visita à Sardenha

Papa apelou hoje ao respeito pelos “direitos fundamentais” de cada pessoa, em particular das que sofrem com as consequências da crise e a “incerteza”, durante a sua viagem à ilha da Sardenha.

“É necessária a colaboração leal de todos, com o compromisso dos responsáveis das instituições, também a Igreja, para assegurar os direitos fundamentais das pessoas e das pessoas, fazendo crescer uma sociedade mais fraterna e solidária”, declarou na homilia da missa a que presidiu no Santuário da “Madonna di Bonaria” (de Nossa Senhora dos Bons Ares, em tradução livre para português).

Francisco sublinhou de forma particular o “direito ao trabalho, o direito a levar pão para casa, pão ganho com o trabalho”.

O Papa foi recebido no santuário pelo presidente da região da Sardenha, Ugo Cappellacci, e pelo presidente do município de Cagliari, Massimo Zedda, tendo cumprimentado depois os doentes que se encontravam no local.

“Vim para partilhar convosco alegrias e esperanças, cansaços e compromissos, ideais e aspirações da vossa ilha e para vos confirmar na fé”, começou por dizer.

Francisco admitiu que a ilha italiana, a segunda que visita, enfrenta problemas e preocupações, em particular “a falta de trabalho e a sua precariedade” e “muitas situações de pobreza”.

A intervenção recordou as pessoas que muitas vezes são consideradas menos importantes e que, segundo o Papa, “têm mais necessidade” de atenção: “Os mais abandonados, os doentes, aqueles que não têm com o quê viver, os que não conhecem Jesus, os jovens que estão em dificuldade”.

Francisco destacou as raízes cristãs da Sardenha e a ligação dos seus cidadãos à Senhora de Bonária, tanto os que permaneceram na ilha como os que emigraram em busca de “um trabalho e um futuro”.

O Papa dirigiu duas saudações em sardo, dialeto utilizado também nalguns cânticos da celebração.

Num santuário dedicado à Virgem Maria, Francisco pediu que ela ensine os católicos a olhar para os outros “de modo mais fraterno”.

“Maria ensina-nos a ter um olhar que procura acolher, acompanhar, proteger. Aprendamos a olhar uns para os outros sob o olhar materno de Maria”, acrescentou.

A homilia falou do “poder da oração” e frisou a importância de “bater à porta de Deus”, sem cessar.

“Maria ensina-nos que Deus não nos abandona, pode fazer grandes coisas também com a nossa fraqueza. Tenhamos confiança nele”, afirmou.

Francisco concluiu com um alerta contra os que “prometem ilusões” e os que têm um olhar “ávido de vida fácil, de promessas que não se podem cumprir”.

OC

Media: Pontífice pede prioridade às pessoas

Francisco recebeu participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais

O Papa disse hoje no Vaticano que a Igreja deve apostar nas tecnologias da comunicação sem esquecer que a prioridade é o encontro “pessoal” num tempo de “desorientação” coletiva.


“Assistimos hoje, precisamente na era da globalização, a um aumento da desorientação, da solidão; vemos alastrar a confusão sobre o sentido da vida, a incapacidade de fazer referência a uma ‘casa’, a dificuldade em tecer laços profundos”, disse Francisco, perante os participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais.


A intervenção quis sublinhar a importância do encontro pessoal com Cristo e advertiu para a “tentação” de manipular as consciências com uma espécie de “lavagem cerebral teológica”.


“Neste tempo, temos uma grande tentação na Igreja, manipular as consciências”, alertou, frisando que não se pretende um “encontro com Cristo meramente nominalista”, mas com uma “pessoa viva”.


Segundo o Papa, independentemente das tecnologias, o objetivo da Igreja é “inserir-se no diálogo com os homens e as mulheres de hoje”, para compreender as suas “expectativas, dúvidas, esperanças”.


“O grande continente digital não é simplesmente tecnologia, mas é formado por homens e mulheres reais que trazem consigo aquilo que têm dentro, as suas esperanças, os seus sofrimentos, as suas ansiedades, a busca do verdadeiro, do belo e do bom”, precisou.


A presença da Igreja é particularmente importante, segundo Francisco, perante homens e mulheres “por vezes um pouco desiludidos por um cristianismo que lhes parece estéril” e com dificuldade “em comunicar de forma incisiva”.


“É portante saber dialogar, entrando, com discernimento, também nos ambientes criados pelas novas tecnologias, nas redes sociais, para fazer emergir uma presença, uma presença que escuta, dialoga, encoraja”, observou.


O Papa recordou que este ano se completam os 50 anos da aprovação do decreto ‘Inter mirifica’, do Concílio Vaticano II, no qual se “exprime a atenção que a Igreja dá à comunicação e aos seus instrumentos”.


Para Francisco, este é um campo no qual a problemática principal não é de “ordem tecnológica” ou de “aquisição de tecnologias sofisticadas”, mas de “encontro pessoal” para comunicar “a beleza da fé, do encontro com Cristo”.


“Também aqui no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração. A nossa presença, as nossas iniciativas sabem dar resposta a esta exigência?”, questionou o Papa.


O Conselho Pontifício das Comunicações Sociais promoveu desde quinta-feira a sua assembleia plenária com especialistas em comunicação de todo o mundo, sob o tema ‘A rede e a Igreja’.


Entre os participantes estava o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, membro deste Conselho.
OC

Fonte: Agência ECCLESIA (Portugal)

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