Paraguaios lutam para preservar língua guarani

Os jogadores paraguaios costumam se comunicar na “língua mãe” para driblar os adversários

– Primeira língua indígena a dividir com o espanhol o título de
idioma oficial em um país da América Latina, o guarani chegou à internet, mas é
cada vez menos falado pelas crianças nos lares paraguaios. Analistas dizem
acreditar que o idioma pode desaparecer em “duas gerações”.

Segundo o professor de linguística e de antropologia David Galeano, da
Universidade de Assunção, o guarani era o idioma original dos países da América
do Sul “antes da chegada dos conquistadores”, nos séculos passados.A língua chegou a ser utilizada em boa parte do centro-sul do Brasil, mas é
no território paraguaio que resiste atualmente.O professor Ramón Silva, que fez um doutorado na língua, diz que o país foi o
primeiro a reconhecê-lo e incluí-lo em sua Constituição.
Futebol
No Paraguai, é comum ouvir de políticos e analistas econômicos a taxistas e
jovens engraxates falando em guarani. Nos campos de futebol, dentro e fora do
país, os jogadores também costumam se comunicar na “língua mãe”, como é chamado
o idioma.
“(Os jogadores falam guarani) Especialmente quando querem evitar que o
adversário entenda o que estão dizendo”, afirmou Delgado. Ela tem livros de
poesias em guarani e em espanhol, mas reconhece que o filho de 27 anos conhece
apenas algumas palavras do idioma “original”.

Arma
Paraguai e Espanha disputaram na Copa de 2010 , na África do Sul,vencida pelos espanhóis  por 1 z 0
um jogo decisivo pelas quartas de final da Copa do Mundo. Segundo informações do jornal espanhol “As”, os jogadores paraguaios iriam se comunicar em guarani para que os espanhóis não entendem as orientações em campo. De acordo com o jornal espanhol, o guarani é falado por cerca de 7 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que 85% dos paraguaios sabem falar e 27% só falam guarani.
A maioria dos jogadores se comunica em guarani, e o técnico Gerardo Martino, que é argentino, consegue arriscar algumas palavras. Por outro lado, seu compatriota Lucas Barrios, que se naturalizou paraguaio este ano, confessou que não domina o idioma. “Só falo espanhol, os jogadores até brincam comigo por isso, mas tudo bem, faz parte”, declarou o atacante ao “As”.
O meio-campista Victor Cáceres acredita que falar em guarani pode ser uma vantagem quando o Paraguai enfrenta países que falam em espanhol. “É nosso idioma, mas só usamos o guarani em campo nestes casos, mas geralmente nos jogos [contra equipes que não falam espanhol] conversamos em espanhol mesmo”, completou.



Criança de origem indígena em escola paraguaia (foto: Reuters)
Nas escolas paraguaias, crianças aprendem a ler e escrever em
guarani

Alguns países chegam a reconhecer idiomas indígenas por meio de resoluções ou de forma circunscrita a determinadas regiões de seu território. Na Bolívia, por exemplo, a Constituição de 2009 estabelece como idiomas oficiais do Estado o castelhano e “todos os idiomas das nações e povos indígenas originários camponeses” – entre eles o guarani.
Na região da fronteira com o Brasil, os paraguaios costumam falar guarani e português. Muitas vezes o espanhol não faz parte das conversas, inclusive de crianças – que às vezes não sabem a diferença entre português e espanhol.”Na fronteira, os paraguaios falam principalmente portunhol (mistura do português e do espanhol), guarani e espanhol. Mas eles não são trilíngues. Eles mesclam os três idiomas e assim se entendem”, afirmou Silva.
Galeano diz que na fronteira, impera o “guaratuguês” (mistura do guarani com português
Paraguai e Espanha disputaram na Copa de 2010 , na África do Sul um jogo decisivo pelas quartas de final da Copa do Mundo. Segundo informações do jornal espanhol “As”, os jogadores paraguaios vão se comunicar em guarani para que os espanhóis não entendem as orientações em campo. De acordo com o jornal espanhol, o guarani é falado por cerca de 7 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que 85% dos paraguaios sabem falar e 27% só falam guarani.

Seminário
A sobrevivência do guarani no Paraguai foi abordada em um seminário
internacional sobre o “bilinguismo” no país, realizado essa semana em Assunção.
O evento foi organizado pelo governo local e pela Organização de Estados
Ibero-americanos (OIE), e teve também a participação de americanos e
europeus.
Os especialistas divergem sobre até quando a língua resistirá “em tempos de
tecnologia e de globalização”.”O guarani sempre foi o idioma nas nossas casas. Agora as crianças aprendem,
na escola, a ler e a escrever, mas não a falar guarani. Para sobreviver, a
língua deve ser falada. Por isso, acho que a tendência é que ela acabe em duas
gerações”, disse Ramón Silva à BBC Brasil.
A diretora de promoção de línguas da Secretaria Nacional de Cultura do
Paraguai, Susy Delgado, discorda. “Se o guarani sobreviveu até aqui por que não
sobreviveria em novos séculos?”, afirmou.

Sobrevivência

Filho de pai brasileiro e mãe paraguaia, Ramón Silva, de 50 anos, é
apresentador do programa de televisãoem guarani “Káy’uhape” (em espanhol
“Tomando Mate”).No programa, que vai ao ar às 4h30 (hora local), quando a maioria dos
paraguaios acordam, são apresentadas notícias nacionais e internacionais, além
de entrevistas com autoridades locais em guarani.
Silva trabalha ainda na aplicação da lei que obriga escolas a incluírem a
língua no currículo, já que hoje não são todas que o ensinam.A lei prevê também que aeroportos locais passem a informar, a partir do ano
que vem, sobre chegadas e partidas dos voos não só em espanhol, como ocorre
hoje, mas também em guarani.A lei foi aprovada no governo do ex-presidente Fernando Lugo com objetivo de
manter vivo o idioma falado por cerca de 90% da população, segundo dados
oficiais.

Futebol

Dicionário de guarani. | Foto: Márcia Carmo/BBCBrasil

Ramón Silva elaborou dicionário de guarani com termos
militares, religiosos, médicos e jurídicos

Proteção

Um guia de turismo que costuma fazer a viagem entre Assunção e a igreja
franciscana de San Buenaventura de Yaguarón, a 48 quilômetros da capital
paraguaia, explica aos turistas estrangeiros que a história “trágica” do país
acabou “protegendo o guarani da globalização”.
“A desgraça da história do Paraguai foi positiva para a sobrevivência do
guarani”, explica Ramón Silva. De acordo com ele, no período da colonização os
espanhóis iam embora e as mulheres que permaneciam falavam guarani com as
crianças.
“Na Guerra Grande (Guerra do Paraguai) e na Guerra do Chaco, os homens foram
à luta e as mulheres ficaram sozinhas ou com as crianças. O guarani foi sendo
passado, em casa, de geração para geração”, diz Susy Delgado.
Ela reconheceu que o “isolamento” político do país, ao longo da história,
ajudou nesta sobrevivência. “Agora tem gente aqui no país que planeja fazer até
teclado de computador em guarani.”

Fontes:


Marcia Carmo


De Buenos Aires para a BBC Brasil – UOl Esporte
Antonio Bento
Analista de Redes de Computadores , Pos-Graduado em Segurança de Redes de Computadores , Pos-Graduado Tecnologias Para Aplicações Web. Trabalha deste 2008 com Aplicações web em desenvolvimentos nas linguagem (php, Python, Ruby Rais) Conhecimento Avançando em banco sql Nosql.
http://stice.info

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