Universidad de Chile: Lealdade e paixão em tons de azul

Pode até haver equipes mais vitoriosas e períodos de altos e baixos, mas não é nada fácil encontrar uma torcida tão leal e apaixonada quanto a da Universidad de Chile. O FIFA.com conta a trajetória de 84 anos do clubeO protagonismo da Universidad de Chile no futebol de seu país é indiscutível e confirmado pelas estatísticas. Com 14 títulos no campeonato nacional, a “U” é a segunda equipe mais vitoriosa da nação andina, atrás apenas do Colo Colo, seu rival no Superclássico chileno.No entanto, nenhuma cifra consegue representar por completo a lealdade que sua torcida demonstra. A Universidad de Chile é uma instituição que alternou entre tempos felizes e tristes, mas sempre deu o que falar em seus 84 anos de história. A seguir, o FIFA.com conta um pouco dessa trajetória.

O nascimento de uma instituição
Não seria absurdo afirmar que o embrião da Universidad de Chile surgiu em 1902, quando um grupo de ex-estudantes fundou o Internado FC, equipe ligada a uma prestigiosa instituição de ensino. Em 1927, esse clube tentou participar da Liga Central, que condicionou sua entrada a uma fusão com outras duas equipes, o Atlético Universitario e o Náutico Universitario.
Assim, no dia 24 de maio daquele ano, nasceu o Club Universitario de Deportes, que adotou como uniforme a camiseta branca e os calções e meias azuis do Internado FC. Em 1928, a equipe assumiu como escudo o chuncho, ave pertencente à família da coruja e comum na Patagônia chilena. Segundo um dirigente, o animal simbolizaria “a sabedoria, o conhecimento e a harmonia entre o corpo e o espírito, supremas aspirações do esporte como tal.” Em 1930, o time passou a usar a camisa azul que o acompanha até hoje. Naquele ano, passou por uma reestruturação, passando a se chamar Club Deportivo de la Universidad de Chile, após incorporar o departamento esportivo desta instituição de ensino e também o da Pontifícia Universidade Católica. Os representantes desta última, porém, só ficaram até 1937, quando decidiram formar a própria equipe. Hoje, a Universidad Católica é a rival da “U” no Clássico Universitário do país.

O surgimento de um mito
Em 1936, o clube quis deixar a Liga Amadora e se filiar à Liga Profissional, que já existia havia três anos. Como a Universidad Católica propôs o mesmo e a liga não desejava contar com duas instituições universitárias, ambas as equipes tiveram de decidir a sorte em jogos contra adversários da primeira divisão. Enquanto a Católica perdeu para o Colo Colo por 6 a 2, a “U” só foi derrotada por 2 a 1 pelo Audax Italiano, com um gol na prorrogação, ficando assim com a vaga. Um dos heróis daquele jogo foi o goleiro Eduardo Simián, “el Pulpo” (“o polvo”), que também foi fundamental para a conquista do primeiro título da equipe em 1940 — um triunfo que um jornal da época descreveu como uma demonstração de “até onde pode chegar o amor-próprio para transformar um grão de areia em um edifício.” A história da Universidad de Chile ganhou brilho em meados da década de 1950. Graças ao técnico Luis Álamos, o clube montou uma grande equipe, formada principalmente por talentos revelados nas categorias de base, como Leonel Sánchez, Carlos Campos, Luis Eyzaguirre e Braulio Musso. Entre 1959 e 1969, a “U” acumulou seis títulos e dois vice-campeonatos, praticando um futebol excepcional, que lhe valeu o apelido de o “Balé Azul”.”Era um prazer vê-los”, afirmou Sergio Brotfeld, prestigiado jornalista esportivo chileno. “A forma com que se entendiam e se entregavam ao jogo fazia que este fosse realmente um espetáculo artístico. Eles estarão para sempre entre o melhor da história do futebol do Chile.”

Façanhas não faltaram nessa época. O título de 1959, por exemplo, foi ganho após uma arrancada final, na qual a “U” superou uma desvantagem de quatro pontos na tabela nas últimas quatro rodadas, com vitórias por 4 a 3 sobre a Universidad Católica e por 3 a 2 sobre o Colo Colo, contra o qual teve de jogar uma partida-desempate. “Nunca me esquecerei do gol de falta que marquei, a uma distância de 40 metros. Foi o início de uma equipe memorável”, disse o atacante Leonel Sánchez, considerado um dos melhores jogadores da história do país. A fama da Universidad de Chile ultrapassou fronteiras quando a equipe participou da primeira edição da Copa Libertadores da América em 1960 e, dois anos depois, cedeu oito jogadores à seleção que foi terceira colocada na Copa do Mundo da FIFA disputada em casa — entre eles, Suárez, um dos artilheiros da competição. Em 1963, o time superou o Santos de Pelé, então campeão intercontinental, por 4 a 3 em um amistoso. Depois disso, saiu de excursão pela Europa, onde conquistou vitórias de peso — a mais importante, um 2 a 1 sobre a Internazionale de Milão do técnico Helenio Herrera no Estádio San Siro.
O golpe militar que mudou a história do Chile em 1973 provocou uma crise no clube, que, cinco anos depois, se transformou na Corporación de Fútbol Profesional de la Universidad de Chile, uma entidade privada. Em 1º de setembro de 1980, se desvinculou da instituição de ensino, apesar de ter conservado o nome de “Universidad de Chile” em seus emblemas.Naquele mesmo ano, o clube foi vice-campeão nacional, em campanha na qual se destacou Manuel Pellegrini, atual técnico do Málaga, da Espanha. Depois daquilo, porém, a “U” atingiu o ponto mais baixo de sua história e acabou rebaixada em 1989. Apesar do mau momento, o clube conseguiu reacender a fidelidade de sua torcida, chamada de “bullangueros” (“barulhentos”) — de onde vem também um dos apelidos do clube, “Bulla”.

Perfil do Clube

Universidad de Chile

Cidade: Santiago
Fundación: 24 de maio de 1927Site Oficial: http://www.udechile.cl/
Principais títulos:*
14 Camponatos Chilenos (1940, 1959, 1962, 1964, 1965, 1967, 1969, 1994, 1995, 1999, 2000, Apertura 2004, Apertura 2009 e Apertura 2011)
 3 Copas do Chile (1979, 1998, 2000)
Jogadores históricos:
Eduardo Simián, Leonel Sánchez, Carlos Campos, Braulio Musso, Carlos Contreras, Luis Eyzaguirre, Renato Álvarez, Rubén Marcos, Jorge Socías, Alberto Quintano, Sandrino Castec, Sergio Vargas, Luis Musrri, Arturo Salah, Manuel Pellegrini, Mariano Puyol, Víctor Hugo Castañeda, Marcelo Salas, Diego Rivarola.
*A lista de títulos acima inclui apenas as conquistas mais importantes e não todas as que o clube obteve em sua história.

A Universidad de Chile voltou à primeira divisão na temporada seguinte. Em 1994, após um jejum de 25 anos, conquistou seu oitavo título nacional. Naquele elenco, o destaque foi o atacante Marcelo Salas, autor do gol no clássico contra a Católica, que abriu caminho para a conquista da taça. “Aquele foi o mais especial que marquei pela ‘U’. Foi para deixar o rebaixamento para trás e olhar para o futuro”, comentou o jogador. Nos dez anos seguintes, o clube acumulou mais quatro taças, sempre com boas campanhas. A melhor delas foi a de 1999, quando alcançou uma invencibilidade de 33 jogos e uma série de 13 vitórias consecutivas — recordes ainda não superados no Chile.
No entanto, em 2006 as dívidas levaram a instituição à quebra. Como parte da solução, no ano seguinte o clube passou a ser gerenciado pela Azul Azul, sociedade anônima que ainda hoje o controla. A remontagem do elenco levou algum tempo, mas já em 2009 o clube voltou a ser campeão. Na temporada seguinte, esteve perto de ir à decisão da Libertadores, mas, pela terceira vez, parou nas semifinais da competição. A taça de um torneio internacional, aliás, continua sendo a maior ausência na sala de troféus da entidade.

O momento atual
O presente parece favorável para o “Romântico Viajante”, que é como o clube é chamado no título de seu hino. Sob o comando do técnico argentino Jorge Sampaoli, a Universidad de Chile conquistou o Torneio Apertura 2011 em grande estilo, goleando a Católica por 4 a 1 no jogo de volta, após ter perdido a ida por 2 a 0. No atual Clausura, estabeleceu o melhor início de campeonato da história do país, com nove vitórias consecutivas. Como se fosse pouco, com a goleada desta semana por 4 a 0 sobre o Flamengo na primeira partida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, estabeleceu duas novas marcas para clubes chilenos: a de mais tempo sem sofrer gols em jogos internacionais (450 minutos) e a maior goleada em gramados brasileiros.

O estádio
A Universidad de Chile manda seus jogos no Estádio Nacional Julio Martínez Prádanos de Santiago. Localizado na zona oeste da capital do país, a construção, de propriedade do governo nacional, foi inaugurada em dezembro de 1938 e recebeu dez partidas da Copa do Mundo da FIFA 1962, entre as quais a final. Atualmente, tem capacidade para 48 mil espectadores sentados.

Fonte: FIFA.com

Antonio Bento
Analista de Redes de Computadores , Pos-Graduado em Segurança de Redes de Computadores , Pos-Graduado Tecnologias Para Aplicações Web. Trabalha deste 2008 com Aplicações web em desenvolvimentos nas linguagem (php, Python, Ruby Rais) Conhecimento Avançando em banco sql Nosql.
http://stice.info

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